As mulheres representarão 50% dos investidores pessoas físicas na Bolsa daqui a, no máximo, dez anos, disse a especialista em investimentos do Modalmais Erica Santos.

Em entrevista ao Money Times, Santos mostrou que está otimista com a participação feminina no mercado acionário, levando em consideração a crescente atuação das mulheres com aplicações de renda variável.

“Acredito que em cinco anos, no máximo dez, seremos 50% das investidoras”, defendeu a especialista. “Eu sinto cada vez mais as mulheres chegando para falar sobre investimentos, renda variável Eu tenho essa esperança de que daqui a dez anos, no máximo, nós sejamos pelo menos 50% na Bolsa. Se não isso, bem próximo a isso”.

Dados divulgados pela B3 (B3SA3) mostraram que a entrada do público feminino na Bolsa está acelerando. As investidoras representavam em fevereiro deste ano 26% do total de CPFs cadastrados. O resultado corresponde a um aumento expressivo de 128% em relação a dezembro de 2019.

“Sei que 26% ainda é pouco, mas a gente está conquistando espaço”, afirmou Santos. “As mulheres estão se interessando por investimento. Independência financeira te dá o direito de ter escolha. As mulheres estão tomando ciência disso”.

 

Mudanças no mercado

Santos trabalha há 12 anos no mercado financeiro. Vinda de uma família dedicada ao setor, ela começou a se interessar por investimentos cedo.

“Eu sempre lidei com investimentos e tive educação financeira em casa, coisa que infelizmente a gente não vê na maioria dos lares no Brasil”, contou a especialista.

Seu primeiro trabalho foi em um banco no Rio de Janeiro. Depois disso, Santos passou por algumas corretoras até ingressar no Modalmais, onde está há um ano. Atualmente, ela é banker do segmento de Alta Renda da empresa, cujo quadro de funcionários é 40% composto por mulheres.

Santos acompanhou as mudanças no mercado de investimentos. A especialista destacou que, de 2009 para cá, o setor evoluiu muito não só no que diz respeito a novas ofertas de produtos, mas também em comportamento.

A principal mudança está no crescente interesse das mulheres em investir em ações. De acordo com Santos, a mulher investidora é muitas vezes associada a um perfil mais conservador, ou seja, alguém que investe apenas em renda fixa. Os números da B3 reforçam que essa ideia está errada. A banker vê uma migração forte do Tesouro Direto (onde a participação feminina é de 32%) para a Bolsa, um efeito que ela atribui, dentre diversos fatores, à pandemia e à queda da Selic.

Mas o que mais chama a atenção de Santos é a transformação no perfil dos homens. Se antes ela tinha que lidar com o descrédito de alguns clientes só pelo fato de ser mulher, hoje ela vê muita procura do público masculino por seus serviços.

“Tem muita mulher que gosta de ser atendida por mulher, mas tem muito homem que gosta de ser atendido por mulher”, comentou. “Eu sempre trabalhei na área comercial, e antigamente eu sentia muito preconceito; várias vezes eu falava com um homem e ele não acreditava em mim. Pedia para falar com meu superior ou com outro homem. Hoje não”.

 

Exemplos a seguir

Segundo Santos, a mulher tem entendido cada vez mais a importância de investir. O que ajuda a trazer essa consciência para o público feminino é o papel das influenciadoras que falam sobre o mercado financeiro.

“Mulher falando sobre investimentos te ajuda a abrir a cabeça e pensar: ‘Opa, se ela fala, também posso aprender’. Não é tão difícil como algumas pessoas pensam”, disse.

Com o crescimento de exemplos femininos no mercado e a criação de conteúdos financeiros feitas por mulheres para mulheres, Santos acredita que o número de investidoras vai aumentar cada vez mais – e não só na Bolsa, mas com investimentos de todos os tipos de produtos financeiros.

 

Fonte: Money Times | BR