Conhecer o retorno sobre um investimento é fundamental para o processo de aplicação. Em termos técnicos, esse elemento se chama payback e já é amplamente utilizado no mercado financeiro e no universo empresarial.

Por meio dele, gestores, tomadores de decisões e investidores analisam se determinada aplicação financeira é interessante ou não. Trazendo para o mundo dos investimentos, esse é um elemento determinante na hora de decidir entrar e sair de uma operação, seja na renda fixa, seja na variável.

Neste artigo, discorreremos um pouco mais sobre o assunto, apresentando seu conceito, sua finalidade e como ele pode ser utilizado. Acompanhe!

 

O que é o Payback?

Inicialmente, é importante entender a definição de payback. Basicamente, trata-se de um indicador que demonstra o tempo necessário para recuperar o dinheiro investido em algum tipo de aplicação ou negócio.

Independentemente do seu objetivo, saber quando um recurso aplicado voltará para o seu bolso é fundamental na hora de tomar essa importante decisão.

 

Para que ele serve?

Algumas pessoas podem relacionar esse conceito apenas ao universo empresarial. Contudo, é importante destacar que o investidor também é uma espécie de empreendedor. Afinal, ele lida diariamente com oportunidades e riscos no mercado financeiro.

Além disso, também deve ficar atento a movimentos externos que podem impactar em seu segmento. Também se preocupa com a questão tributária e tem uma série de obrigações a serem cumpridas.

Obviamente, existem elementos que são exclusivos de quem tem ou investe em uma empresa. Porém, conceitos como o do payback podem ser perfeitamente aplicados ao empreendedor e investidor.

Afinal, todo o movimento que demanda o desembolso de algum valor é fundamental para saber as probabilidades de retornar para o bolso do proprietário, acrescido da respectiva rentabilidade.

 

Qual é a relação entre payback e fluxo de caixa?

Antes de entrar no cálculo do payback, é importante entender a relação direta desse indicador com o fluxo de caixa do investidor. Esse é outro conceito importado do meio empresarial e que pode ser perfeitamente adaptado ao mercado financeiro.

Basicamente, trata-se de uma ferramenta que pressupõe o controle das entradas e saídas de recursos da sua carteira de investimentos ou da própria conta bancária. É uma tarefa que faz parte do desenvolvimento da inteligência financeira, projeção bancária e, principalmente, da gestão de seus recursos.

Ao fazer um investimento, você desembolsa um valor que estaria disponível. Por mais que aplicar um recurso seja a tarefa mais importante para quem não quer ver o seu dinheiro se perder ao longo do tempo graças à inflação, é preciso ter cuidado nesse processo.

Isso porque, se você aplicar todo o seu capital de uma única vez, provavelmente, ficará sem recursos para alguma necessidade específica. Por isso que a diversificação e o controle de fluxo de caixa são tão importantes para quem entra no universo dos investimentos.

Ele o auxiliará na gestão da rentabilidade das suas aplicações, além de evitar eventuais perdas financeiras que possam ocorrer no processo.

Para entender isso, basta saber que o cálculo do tempo necessário de recuperação de um investimento demanda a necessidade de saber quanto ele gerará de receita periodicamente. Nesse caso, você pode criar uma projeção para saber quanto terá em sua conta corrente disponível para investir nos próximos meses.

Além disso, essa ferramenta também pode ser utilizada para ajudá-lo a entender quanto da sua rentabilidade será reinvestida. Além disso, mostrará o montante que pode ser incorporado às suas finanças para manutenção da sua vida financeira.

 

Quais são os tipos de payback?

Agora que você entendeu o conceito de payback, mostraremos quais são os tipos mais utilizados no mercado financeiro. Continue lendo!

 

SIMPLES
É análise pura do tempo necessário para recuperar o investimento realizado. Em outras palavras, equivale ao prazo mínimo exigido para que uma aplicação “se pague”.

Essa metodologia é mais utilizada por investidores que desejam analisar a viabilidade e o potencial de retorno de uma aplicação. Ele também pode servir para demonstrar o momento ideal de sair de uma operação.

Por exemplo, imagine que você investe uma quantidade significativa do seu capital em uma ação de empresa que pode não gerar um retorno positivo em um prazo determinado. Logo, a tarefa mais indicada seria vender os papéis antes que a situação piore e gere prejuízo ao seu patrimônio.

 

DESCONTADO
O payback descontado é um pouco mais complexo que o modelo simples. Isso porque ele considera os valores descontados para o presente por meio de uma taxa de juros.

Isso é feito com a aplicação de um conceito chamado Taxa Mínima de Atratividade (TMA). Ela pode ser a própria taxa de juros básica do mercado ou outro indicador que representa a rentabilidade mínima de uma aplicação.

Apesar de terem conceitos e focos totalmente diferentes, o payback simples e o descontado podem ser utilizados em conjunto. Por exemplo, você pode apurar o primeiro para fazer a projeção de retorno com valores nominais.

Contudo, mais relacionado ao prazo em que esse dinheiro retornará às suas mãos.

Em seguida, é possível dar um passo a mais, utilizando o payback descontado para encontrar os valores atualizados e mais precisos quanto ao retorno de sua aplicação. Assim, significa afirmar que um modelo não exclui o outro, mas, sim, se complementam.

 

Como calcular o payback simples?

Iniciaremos, portanto, com um modelo simples e utilizaremos a seguinte fórmula:

payback = Investimento inicial / Ganho do investimento

Em outras palavras, significa que o tempo de retorno será igual ao valor aplicado dividido pela rentabilidade que ele proporciona. Vamos fazer isso aplicando valores reais na fórmula. Contudo, vamos imaginar que a aplicação gera uma rentabilidade de 12% ao ano.

Assim, consideramos que o valor aplicado será o montante de R$ 50.000,00. Trazendo esses dados para a fórmula, temos:

payback = R$ 50.000,00/ 6.000,00 (12% do valor aplicado ao ano) = 8,3

Na prática, significa que o investidor terá todo o seu capital retornado ao seu bolso em oito anos e três meses, considerando os dados mencionados anteriormente.

Obviamente, esse prazo está totalmente relacionado à rentabilidade do investimento e à sua natureza. Aplicações de renda fixa podem ter uma rentabilidade consideravelmente menor a essa que mencionamos. Porém, elas não envolvem riscos ao seu capital.

Por outro lado, a renda variável — apesar de ter riscos calculados — pode proporcionar uma rentabilidade igual ou extremamente maior que 12% ao ano. Tudo dependerá do seu nível de conhecimento sobre o mercado financeiro, do seu perfil de investidor e do seu apetite ao risco.

Nesse sentido, é importante destacar a função primordial da diversificação de investimentos. Ela proporciona obter diversos tipos de taxa de rentabilidade, além de fracionar os seus riscos.

 

Como calcular payback descontado?

O payback simples pode ter algumas limitações muito importantes de serem destacadas. As principais delas são o fato de não considerar novos aportes, tampouco a taxa de juros diferenciada de cada tipo de aplicação.

Nesse caso, o tempo necessário para que um capital retorne ao seu valor original pode ser menor ou maior, dependendo desses fatores. Sendo assim, não existe uma fórmula fixa para o cálculo do payback descontado. Isso porque dependerá muito da possibilidade de reaplicação do capital, da taxa de juros e de outros dados.

Mas vamos utilizar o mesmo exemplo anterior, adicionando o acréscimo de R$ 1.000,00 ao longo do tempo. Além disso, é importante destacar que a rentabilidade obtida não será apenas sobre os R$ 50.000,00 aportados, mas, sim, acrescentando o valor adicional a cada mês. Nesse caso, o retorno do capital ocorreria em pouco mais de sete anos.

Você também pode utilizar essa metodologia de cálculo para projetar um crescimento ainda maior na aplicação. Estamos tratando do “milagre dos juros compostos”. A cada ano, você reinveste o valor da rentabilidade.

Portanto, o montante inicial será 12% maior. No ano seguinte, a rentabilidade não será apenas sobre o R$ 50.000,00.

Afinal, você teria adicionado mais R$ 6.000,00 na mesma aplicação. Assim, em pouco tempo, o capital pode dobrar de valor. Desse modo, construirá riqueza a longo prazo com o mercado financeiro.

 

Quais são os benefícios de usar esse indicador?

Agora que você entendeu como funciona a dinâmica de cálculo de ambos os modelos de payback, mostraremos os principais benefícios que eles podem proporcionar ao investidor. Continue lendo!

 

FACILIDADE DE COMPREENSÃO: Inicialmente, é importante destacar que esses indicadores são muito simples de ser calculados e compreendidos. Obviamente, para apurar cada um deles — especialmente o payback descontado —, você necessitará de algumas informações básicas sobre o seu investimento.

Mesmo que pareça confuso no início, à medida que você ganha prática nesse cálculo, perceberá que ele é muito mais simples do que parece. Essa simplicidade de cálculo e facilidade de compreensão fazem dele ainda mais importante no universo dos investimentos.

 

REALIZAÇÃO DE UM PLANEJAMENTO FINANCEIRO MAIS EFICIENTE: Outro benefício que ambos os modelos de payback proporcionam é a possibilidade de realização de um planejamento financeiro mais eficiente.

Como ele mostra de forma precisa o tempo que um capital demora para retornar ao seu bolso, você pode fazer planos e traçar metas com esses montantes.

Inclusive, o payback pode ser utilizado como um mecanismo para chegar até determinado objetivo. Por exemplo, imagine que você deseja adquirir um imóvel em um prazo de cinco anos.

Assim, para garantir que o valor não seja gasto com outra coisa e que ele cresça ao longo do tempo, você pode escolher uma aplicação com uma boa rentabilidade. Nesse caso, ela deve gerar o retorno necessário para que seja possível comprar o imóvel no tempo determinado.

Além de abrir essa possibilidade, a utilização desse indicador também permite que você coloque o seu dinheiro em um investimento rentável e que o protegerá da inflação.

 

OPORTUNIDADE PARA FAZER NOVOS APORTES: O tempo de retorno calculado por meio do payback também facilita a execução de novos aportes. Por exemplo, imagine que você sabe que uma aplicação retornará nos próximos meses à sua conta.

Assim, pode planejar para fazer novas aplicações quando o recurso for resgatado. Nesse caso, vale a pena um adendo importante: jamais confunda esse conceito com o de liquidez. Esse último também está relacionado ao tempo que um dinheiro demora para ficar disponível em uma conta.

Contudo, nesse caso, ele não está vinculado à rentabilidade de uma aplicação, mas às regras que o ativo tem quanto ao resgate ou saque do valor investido. Existem casos em que ele pode ficar restrito por meses ou anos.

Assim, o payback é calculado de forma independente da liquidez existente em alguns ativos de renda fixa. Portanto, também é importante ter atenção a esse detalhe.

 

POSSIBILIDADE DE DIVERSIFICAÇÃO DO SEU CAPITAL: Para finalizar as vantagens do payback, esse indicador facilita a vida do investidor na hora de diversificar o seu patrimônio. Isso porque permite uma análise mais ampla do tempo que cada tipo de investimento precisa para voltar às mãos do investidor.

Nesse caso, você pode fracionar o seu capital entre ativos com rentabilidade maior com mais risco e menores com menos riscos. Assim, visando sempre à melhor rentabilidade média entre os dois casos e a proteção do seu capital.

Por fim, podemos concluir que o payback é uma ferramenta imprescindível para o investidor. Desse modo, ele deve ser adicionado à sua rotina de estudos e aplicado em conjunto a outros indicadores do mercado financeiro.

 

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