Os avanços na legalização da cannabis para uso medicinal e recreativo no mundo todo têm impactado positivamente o mercado de capitais — e as perspectivas apontam para altas cada vez mais significativas nesse cenário.

Com a gradual mudança de compreensão a respeito da planta, as indústrias de variados setores demonstram expectativas de crescimentos. Isso pode ser percebido nas áreas de cosméticos, alimentos, bebidas, saúde e muitas outras.

Para o investidor, esse novo mercado pode ser uma excelente oportunidade de investimento e diversificação da carteira, e os ETFs de Cannabis são algumas das opções de acesso a esse mercado.

Acompanhe este artigo para compreender o que são esses fundos de índice e de que forma eles podem contribuir para maiores ganhos e rendimentos.

O que é a cannabis?

Antes de mais nada, é importante compreender o que é a cannabis, conhecida popularmente no Brasil como maconha. Utilizada de inúmeras formas ao longo da história, essa planta apresenta alto potencial de produtividade e comércio.

História

Sendo uma das culturas agrícolas mais antigas conhecidas pela humanidade, existem vestígios da interação do homem com a cannabis há mais de 10 mil anos, além de inúmeras evidências da utilização dessa erva em diversas culturas ao redor do mundo, como na China, Romênia, Índia e, até mesmo, em rituais religiosos de judeus e dos primeiros cristãos.

Além da forte presença em variados locais do planeta, a cannabis também está presente na formação cultural de figuras icônicas da intelectualidade mundial, como o inglês Shakespeare.

Criminalização

Durante muito tempo, a cannabis não foi considerada uma mercadoria ilegal. Muito pelo contrário: ela era utilizada das mais diversas formas, para uso recreativo, medicinal e até como tecido de roupas, além de velas e cordas de embarcações.

Contudo, a partir do século XX, ela passou a ser criminalizada em inúmeros países, como Estados Unidos, África do Sul, Reino Unido e Nova Zelândia. No Brasil, a proibição da maconha ocorreu em 1932, sendo listada como substância tóxica entorpecente sem licença de autoridade especial competente.

Embora exista disputa quanto aos motivos da proibição da erva, grande parte da compreensão gira em torno de interesses empresariais na destruição da indústria do cânhamo nos EUA.

Qual é o potencial da cannabis na indústria?

Apesar da história controversa da proibição, atualmente a compreensão dos benefícios dos diversos usos da cannabis na produção industrial tem ganhado cada vez mais espaço ao redor do mundo.

As múltiplas utilidades que ela fornece chama a atenção de inúmeras empresas, que enxergam nessa versatilidade uma grande possibilidade de crescimento e lucros com o uso da planta.

A seguir, listamos algumas das possibilidades de uso da cannabis. Confira.

Alimentação

É possível introduzir a cannabis na alimentação, sem que cause efeitos psicoativos. A semente de cânhamo, um tipo de cannabis, possui baixo nível de THC – princípio psicoativo da planta –, além de ser rica em ácidos graxos, aminoácidos e ômega 3.

Descontaminação do solo

Outro uso importante da cannabis é para a melhoria na qualidade do solo, sendo uma grande aliada da agricultura. Em regiões de alto teor de metais pesados, ela pode funcionar desintoxicando o solo e favorecendo o plantio.

Roupas e fibras

A fibra produzida a partir do cânhamo, é ótima para uso industriais. É possível fazer cordas, forragem animal e resinas. Além disso, essa fibra é excelente para roupas e calçados, pois é mais resistente e eficiente do que o algodão.

Construção

Pode causar espanto, mas o cânhamo também pode ser utilizado para substituir materiais de construção, sendo mais leve e resistente. Um hempcrete (tijolo de cânhamo) tem menor impacto ambiental, se comparado aos concretos tradicionais, é sustentável, além de ser resistente a mofo e a pragas.

Plásticos e combustíveis

Como alternativa, as fibras do cânhamo também podem ser utilizadas na produção de bioplástico e, até mesmo, de biocombustível: estudos feitos pela Universidade de Connecticut, nos EUA, indicam que 97% do óleo da planta pode ser utilizado como biocombustível.

Papéis

Outro produto que pode ser obtido à base de maconha é o papel. Além de mais resistente, a produção ocorre por meio de um ciclo muito mais curto e ecológico do que o de eucalipto.

Tintas

Por meio do óleo extraído da planta, é possível também produzir tinta e verniz. A vantagem é que a produção ocorre de forma a evitar a toxicidade da substância.

Cosméticos

Um grande potencial industrial da maconha se encontra na produção de cosméticos. São diversas as possibilidades de produção à base de cannabis nesse mercado, tais como essências, cremes, shampoos, sabonetes e óleos para pele.

Remédios

A produção medicinal da cannabis é, sem dúvida, um dos aspectos que mais ganha atenção atualmente. Isso porque a planta pode ser utilizada para tratar inúmeras doenças, como epilepsia, insônia, anorexia, mal de Parkinson, além de doenças psíquicas.

Religião e lazer

Por último, mas não menos importante, a maconha está presente em diversos rituais religiosos, principalmente no Rastafári. Além disso, o seu uso recreativo é comum em todo o mundo, sendo uma das substâncias mais consumidas do planeta para essa finalidade.

Como a cannabis tem afetado o mercado?

Por conta dos avanços no entendimento da cannabis como uma importante ferramenta de produtividade, o investimento na produção dessa planta tem ganhado cada vez mais espaço no mercado.

Algumas perspectivas apontam que até 2025 o mercado de maconha poderá movimentar mais de 160 bilhões de dólares por ano. Para os investidores, essa é uma excelente oportunidade para diversificar a carteira e alcançar bons resultados.

Nesse sentido, uma das principais formas para investir nesse mercado é por meio dos ETFs de cannabis.

O que são os ETFs de cannabis?

Uma vez que diversas empresas têm apostado no mercado de cannabis, pode ser difícil escolher apenas uma ação específica para investir. Por isso, alguns ETFs focados nesse setor têm surgido, facilitando os investimentos nesse mercado.

Os ETFs são fundos de índice. De maneira geral, esses são investimentos cujo objetivo é replicar na carteira de investimento a rentabilidade de um determinado índice de referência, conhecido como índice subjacente.

Dessa forma, o ETF é administrado por gestores especializados que vão alocar os recursos para que o rendimento aconteça de acordo com um índice específico — que pode ser referenciado em ações nacionais, estrangeiras, em ações de empresas de um setor de produção, de empresas com boas práticas de sustentabilidade baseadas em critérios de ESG etc.

Quem adquire cotas de um fundo de índice passa a ter, indiretamente, as ações que compõem o fundo. Isso facilita a vida do investidor, que não precisa operar cada ação individualmente.

Ainda pouco explorada no Brasil, a cannabis não possui um ETF específico, no entanto, há fundos de investimento com cotas não negociadas em Bolsa, que realizam esse tipo de aplicação, facilitando o acesso de investidores a esse mercado.

A seguir, confira um dos fundos de investimento negociado no Brasil que investem em ETFs no exterior e que baseiam-se no mercado de cannabis.

Vitreo Canabidiol FIA IE

Em 2019, a gestora Vitreo lançou um fundo de investimentos que investe 100% de seu patrimônio no mercado financeiro dos EUA e do Canadá, destinando dois terços do portfólio em ETF e um terço em ações de companhias do segmento de maconha. Entretanto, esse ETF é aberto apenas para investidores qualificados (que, conforme definição da CVM, possuem mais de 1 milhão de reais em aplicações).

É importante levar em conta que o fundo da Vitreo aplica em ativos no exterior, o que significa que o retorno ocorre pela variação dos ativos que fazem parte do fundo, além da variação do câmbio.

A taxa de administração desse ETF é de 0,9% ao ano, com taxa de performance de 10% sobre o que exceder 100% do S&P 500 TRN (em reais). A aplicação mínima para o investimento é de R$ 100.

Como investir em ETFs de Cannabis?

Para investir em um ETF de Cannabis é necessário abrir uma conta em uma corretora ou banco de investimentos  confiável, listada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Feito isso, basta acessar a plataforma de investimentos da instituição e buscar por um investimento que possibilite a aplicação nesse tipo de ativo, como fundos de investimento e até mesmo alguns COEs. Para enviar recursos para a instituição financeira, você pode utilizar TED, DOC e, até mesmo, PIX.

Como foi possível notar, investir em ETFs de cannabis é uma excelente opção para diversificar a carteira e aumentar suas chances de obter bons rendimentos futuros. Esse mercado promete grandes avanços, com potencial de crescimento vinculado a diversos setores.

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