Durante o ano de 2020, o Brasil se viu em meio a mais uma grande crise que, dessa vez, atingiu todo o mundo. Além de enfrentarmos uma grave crise de saúde pública e sanitária, há também a relacionada à economia. Nesse cenário, muitas pessoas afirmaram que a solução seria imprimir dinheiro.

Agora, se fosse tão simples assim, por que existiriam crises econômicas? A emissão de moeda gera alguns problemas severos que o governo de um país precisa enfrentar. O principal deles é a inflação.

Neste artigo, mostraremos como isso funciona e porque a impressão de dinheiro pode causar esse problema na economia. Acompanhe!

 

O que é inflação?

Antes de saber se imprimir dinheiro aumenta a inflação, é preciso conhecer um pouco mais sobre esse conceito. Basicamente, a inflação se refere a um aumento contínuo nos preços dos produtos comercializados no país.

Ela tem um impacto direto na diminuição do poder de compra da moeda brasileira, influenciando negativamente as finanças dos cidadãos.

Apesar de ser um conceito econômico medido por índices, ela está presente na vida de todas as pessoas. Ninguém economicamente ativo fica de fora dos impactos da inflação. Além do aumento nos preços, ela gera incertezas na economia, o que desestimula o investimento e prejudica o crescimento do país.

Durante períodos de hiperinflação as pessoas perdem a noção do preço, o que gera muita dificuldade em determinar se algum produto está caro ou barato.

No Brasil, já vivenciamos um grande período de hiperinflação. Na prática, as pessoas recebiam os seus salários e eram obrigadas a gastar tudo imediatamente. Afinal, de um dia para o outro, poderia haver uma grande oscilação no preço de produtos básicos.

Por exemplo, o preço de um simples saco de arroz poderia pular de Cr$ 10 para Cr$ 100 em um único dia. Isso gerou muito transtorno para os brasileiros e um verdadeiro sofrimento, que durou anos.

 

O que significa imprimir dinheiro?

O Plano Real, a política fiscal nacional e a manutenção do que ficou conhecido como os três pilares da economia fez com que a inflação chegasse a um nível controlado.

Não estamos afirmando que da forma que está hoje está bom. Por outro lado, em comparação com o passado, estamos vivenciando um certo grau de estabilidade na inflação.

No entanto, no ano de 2020, começamos a ser bombardeados com a opinião de alguns economistas e políticos, defendendo a possibilidade de imprimir dinheiro para suprir as necessidades econômicas do país no período de pandemia.

Mas o que isso significa, na prática? Inicialmente, é importante entender que uma parcela significativa das responsabilidades do Banco Central do Brasil (BCB) é gerenciar a quantidade de dinheiro físico para suprir as necessidades da população.

Uma das formas de fazer isso é, de fato, imprimindo dinheiro. A impressão de cédulas em nosso país é autorizada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e executado pela Casa da  Moeda, que, por sua vez, executa ainda outras atividades, como a emissão, impressão e fabricação de passaportes, certidões, diplomas, selos fiscais, postais e federais, medalhas, moedas comemorativas, entre outros .

Além disso, existe também a necessidade de reposição de novas notas, periodicamente – por meio da impressão – devido ao recolhimento que ocorre, todos os anos, de notas velhas, rasgadas, riscadas, sujas ou que estão com a tinta fraca.

Segundo um levantamento divulgado em 2013, pelo menos até aquele ano, cerca de R$ 56 bilhões, o equivalente a 2,3 bilhões de cédulas e um volume de aproximadamente duas mil toneladas de dinheiro velho, eram descartados por ano, pelo Banco Central. Em 2019 esse número foi menor, mas ainda assim, elevado: 1,45 bilhão de cédulas foram destruídas.

Entretanto, essa ação de imprimir dinheiro não gera impactos na inflação. O que está sendo feito é uma simples troca de moedas que não têm mais a devida condição de uso, por novas.

 

Imprimir dinheiro causa inflação?

Como você pôde perceber, imprimir dinheiro é algo necessário em determinados momentos. Porém, existem situações em que esse processo pode ser danoso e gerar a temida inflação.

Para entender como isso acontece, é preciso voltarmos a um conceito básico da economia e que a maioria das pessoas conhece. Estamos falando da lógica da oferta e demanda.

Se o mercado é bombardeado com mais papel-moeda, a sua oferta aumenta, logo, o seu valor é reduzido. Afinal, quanto mais disponibilidade existe de um produto na economia, mais barato ele fica. Isso também acontece com a moeda.

Em outras palavras, o dinheiro passa a valer menos. Quando um país começa a imprimir dinheiro de forma descontrolada, também gera alguns impactos em termos de investimentos feitos por empresas e instituições.

Eles passam a perder a confiança no país e deixam de investir ou, simplesmente, liquidam as suas aplicações dentro do país. Esse fenômeno é chamado de fuga de capital.

Para tentar conter essa situação, os governos costumam aumentar os juros, visto que isso se torna atraente para investidores estrangeiros. Além disso, a alta nas taxas de juros é uma medida para conter a inflação.

No entanto, quanto mais altas as taxas de juros, menores são a confiança do consumidor em relação ao futuro e o consumo, visto que há encarecimento das linhas de crédito.

É por isso que, sem o devido equilíbrio das políticas macroeconômicas (monetária, fiscal e cambial), entra-se em um círculo vicioso que potencializa ainda mais a crise econômica, gerando desemprego, endividamento do país e da população, além do empobrecimento de todos que residem em território nacional.

Logo, a resposta para a pergunta “imprimir dinheiro causa inflação?” fica muito clara. De fato, fazer isso de forma desordenada pode afundar um país em uma crise econômica profunda.

 

Qual é o impacto da nota de R$ 200 nesse processo?

Agora que você entendeu que imprimir dinheiro pode causar um problema econômico sério, uma dúvida pode ter ficado no ar: por que o Governo Federal, juntamente ao Ministério da Economia e ao BCB, criaram uma polêmica nota de R$ 200?

Eles têm uma explicação muito simples para isso. No ano de 2020, o Brasil viveu uma situação chamada de entesouramento. Em outras palavras, as pessoas estão guardando o dinheiro físico em quantidades maiores do que o comum.

Logo, isso fez com que diminuísse a quantidade de moeda em circulação no país, gerando a necessidade de imprimir mais dinheiro. Porém, isso não causa impacto na inflação.

Essas cédulas extras surgem com o objetivo de suprir e ajustar a quantidade de dinheiro circulando. Mas por que fazer uma nota de R$ 200, em vez de imprimir mais daquelas que já existem?

A resposta para isso é muito simples. Tenha em mente um detalhe importante: imprimir dinheiro custa dinheiro. O trabalho da Casa da Moeda tem um orçamento milionário e o Brasil não está em um momento adequado para gastar dinheiro com impressão de papel-moeda, no entanto, repor a moeda em circulação é necessário. Logo a maneira mais econômica de fazer isso seria justamente reduzindo a quantidade de cédulas, mas não o valor.

Em um exemplo simples, se há a necessidade de imprimir R$ 1 mil, sai mais em conta fazer isso com cinco notas de 200 reais, do que com dez de 100. Além disso, a nota de R$ 200 já era um programa antigo, e a sua implementação foi acelerada com a pandemia do novo coronavírus.

 

Qual é o objetivo da moeda em meio à crise?

Quando um país passa por crises econômicas como a que testemunhamos no ano de 2020, diversos personagens têm uma participação importante no processo de recuperação da sua economia. O mercado financeiro, o Ministério da Economia e o próprio Governo Federal devem cumprir com o seu papel para recuperar as finanças nacionais.

Por outro lado, a própria moeda também tem um papel importante nesses momentos. A quantidade circulante de dinheiro na economia faz toda a diferença nesse processo de recuperação.

Afinal, se existe riqueza circulando na mão das pessoas e empresas, é mais fácil de os setores econômicos se recuperarem e passarem a gerar receita, movimentando a economia.

No entanto, o fato de a circulação de moeda proporcionar melhorias na economia não pode ser a autorização para que os órgãos competentes passem a imprimir cédulas deliberadamente.

A injeção de recursos na economia em épocas de crise pode ser feita de diversas formas, e muitas delas foram aplicadas no Brasil e no mundo. A maneira mais comum de fazer isso — apesar de ser condenada por muitos investidores e, até mesmo, pelos que participam do governo — é o endividamento público.

E isso pode ser feito por meio da venda de títulos pelo Tesouro Nacional para captar recursos de investidores brasileiros e estrangeiros, que são utilizados no momento de crise. Esse título é o famoso Tesouro Direto, um ativo de renda fixa muito buscado.

Outra alternativa que, em parte, foi aplicada pelo Governo Federal é a venda de ativos. Isso pode acontecer por meio da privatização de empresas e a comercialização efetiva de bens que pertencem ao Governo Federal, como prédios públicos, aeroportos, rodovias e ferrovias.

O mais importante é entender que a economia de um país gira em torno de diversos fatores, e não apenas da moeda. Apesar de ela ter um papel fundamental na definição de parâmetros econômicos, existem outros pontos que podem influenciar a economia como um todo e, até mesmo, a moeda.

Por outro lado, a impressão de dinheiro de forma desordenada — desde que não seja para suprir a necessidade de papel-moeda, como mencionamos — é defendida por economistas e investidores, como sendo algo prejudicial para a economia.

Em alguns casos, isso até pode parecer proporcionar um pequeno respiro para a economia. Porém, geralmente, essa prática tem um preço muito alto a se pagar logo no curto prazo.

O grande problema é que as pessoas que mais sofrem com esse tipo de ação são aquelas que têm baixa renda e não conseguem constituir uma carteira de investimentos para suprir as suas necessidades básicas em momentos de crise.

Como você pode perceber, imprimir dinheiro não é a saída adequada para conter crises. Isso é uma questão que precisa ser resolvida com base em diversos outros elementos, que passam bem longe de, simplesmente, soltar moeda no mercado.

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