O mercado chinês tem atraído cada vez mais a atenção de investidores. Sendo a segunda maior economia do mundo e com perspectiva de crescimento, aplicar em ativos financeiros desse gigante asiático pode gerar bons resultados.

Recentemente, em 2020, foi criado o XINA11, um ETF negociado no mercado de renda variável do Brasil, referenciado em um índice de ações chinesas. A partir desse ativo, é possível que brasileiros invistam, mesmo que indiretamente, em empresas do país asiático por meio do próprio mercado nacional.

Essa pode ser uma boa oportunidade para diversificar a carteira de investimentos e ampliar os seus rendimentos. Mas é importante levar em conta certos detalhes. Confira, neste artigo, as informações necessárias para poder investir na China da forma correta.

 

A economia chinesa

Antes de mais nada, é válido compreender como tem funcionado a economia chinesa nos últimos anos. Embora o país seja considerado comunista em sua política, ele é um gigante capitalista na economia.

A partir dos anos 1970, a China passou por uma grande mudança econômica. Com as medidas tomadas por Deng Xiaoping (1979), o país cresceu economicamente, se abrindo para investimentos estrangeiros.

Entre as estratégias utilizadas para alavancar a economia, está o fornecimento de uma mão de obra barata. Por conta disso, a região recebe investimentos de inúmeras empresas transnacionais.

Utilizando das vantagens das condições de produção chinesa, as gigantes mundiais buscam ampliar os seus rendimentos. São diversos os ramos de atividade econômica na China, como:

  • mineração (petróleo, chumbo, minério de ferro, manganês);
  • pecuária (aves, caprinos, bovinos, búfalos, cavalos etc.);
  • setor industrial (siderurgia, equipamentos eletrônicos, têxtil, telecomunicações etc.);
  • produtos agrícolas (milho, soja, cana-de-açúcar e arroz).

Nas últimas décadas, a China apresentou um crescimento de quase 10% ao ano e a previsão é que nos próximos anos ela ultrapasse os Estados Unidos, se tornando a maior economia mundial.

Empresas como Alibaba, Tecent, Xiaomi, Huawei, TikTok e Baidu têm movimentado bilhões ao redor do mundo. Além disso, analistas apontam vantagens das empresas chinesas em relação as dos Estados Unidos.

Atualmente, o país asiático continua a surpreender. Como o primeiro epicentro da pandemia de Covid-19, ele também foi o primeiro país a conseguir uma recuperação, elevando o seu PIB em 4,9% no 3º trimestre de 2020, em comparação com o mesmo período de 2019.

Por causa do histórico de sua economia nos últimos tempos, e com a perspectiva de continuidade no crescimento de capital, milhares de pessoas têm ficado cada vez mais interessadas em investir nas grandes empresas chinesas.

 

As maiores empresas da China

Embora a maior economia do mundo atualmente seja a dos Estados Unidos, é na China que estão alocadas as maiores empresas mundiais. Como aponta o grande investidor Charlie Munger, as companhias mais fortes do mundo estão na China, não na América.

Ainda aponta o vice-presidente da Berkshire Hathaway que essas empresas, além de mais fortes, apresentam uma maior tendência de crescimento.

Como demonstra o ranking anual da Forbes, entre as 10 maiores empresas de capital aberto do planeta, metade delas são chinesas, sendo:

  • China Construction Bank;
  • Ping An Insurance Group;
  • Bank of China;
  • ICBC;
  • Agricultural Bank of China.

 

Além dessas gigantescas, outras corporações também apresentam boas oportunidades de investimentos, como Alibaba, Xiaomi e Tencent Holding.

 

Os principais setores econômicos chineses

É comum relacionarmos o desenvolvimento econômico chinês a empresas de tecnologia. Contudo, outros setores merecem atenção dos investidores

O setor de construção civil, por exemplo, movimenta cerca de 25% do PIB chinês, sendo o primeiro em termos de movimentação de dinheiro no país. Por meio de tecnologias cada vez mais complexas e promovendo grandes obras, esse setor emprega milhões de pessoas no país.

Além disso, devido ao rápido processo de urbanização pelo qual o país tem passado desde a década de 70, a gestão imobiliária se destaca cada vez mais, sendo o segundo setor que mais cresce.

Outros setores, como o de compras online, também vêm demonstrando bons resultados, com crescimento médio anual de 22,5% nos últimos cinco anos.

De maneira geral, os setores mais promissores da economia chinesa são voltados ao consumo, comunicação e saúde. O setor de consumo é, por exemplo, o que tem o maior peso no índice MSCI China. Esse índice é composto por mais de 700 grandes e médias empresas chinesas que estão listadas em todos os mercados. O segundo colocado do índice é o de telecomunicações.

 

A Bolsa de Valores chinesa

Para quem pretende investir diretamente nas Bolsas de Valores chinesas é importante compreender como elas funcionam. Nesse sentido, existem três possibilidades:

  • Shanghai Stock Exchange (SSE): apresenta em torno de 1,7 mil companhias listadas. O valor de mercado da Bolsa está em cerca de 6 trilhões de dólares;
  • Shenzhen Stock Exchange (SZSE): com cerca de 2,3 mil empresas em sua lista, tem apresentado um valor de mercado que gira em torno de 4,5 trilhões de dólares;
  • Hong Kong Stock Exchange (SEHK): essa é a Bolsa de Valores mais antiga da China e apresenta um valor de mercado maior do que 4,5 trilhões de dólares, com 2,5 mil companhias listadas.

Embora, somado, o valor de mercado das Bolsas chinesas seja elevado, por enquanto, ainda é bastante inferior ao das Bolsas dos Estados Unidos. Juntas, a NASDAQ e a NYSE somam aproximadamente 40 trilhões de dólares.

Mas como comentamos, o maior diferencial da economia chinesa está em suas perspectivas: as empresas asiáticas tendem a ser pioneiras da economia global nos próximos anos.

 

Os tipos de ações chinesas

Além de diferentes Bolsas de Valores, o mercado financeiro chinês também apresenta variados tipos de ações, com diversas possibilidades de negociação.

A classificação ocorre da seguinte forma:

  • A-shares: são as ações de empresas sediadas na China continental e que são cotadas nas Bolsas de Xangai e Shenzhen em renminbi (moeda oficial da China);
  • B-shares: são ações de empresas sediadas na China continental, negociadas nas Bolsas de Xangai e Shenzen e cotadas em moedas internacionais, principalmente o dólar;
  • H-shares: são ações de empresas sediadas na China continental, negociadas na Bolsa de Hong Kong e cotadas em dólar;
  • Red Chips: são ações de empresas com forte atuação na China continental, mas que não são sediadas nesse território. As empresas são listadas na Bolsa de Hong Kong e apresentam o governo chinês como um dos principais acionistas;
  • P Chips: são ações de empresas privadas que operam na China continental, mas que são sediadas em paraísos fiscais. Também listadas na Bolsa de Hong Kong, elas não apresentam o governo chinês como acionista.

 

O investimento na China

São diversas as maneiras de investir no mercado chinês. Como abordamos acima, existem formas diretas, alocando recursos nas Bolsas de Valores chinesas — o que é um caminho mais difícil, pois existem restrições burocráticas, principalmente ao investidor de varejo.

Nesse sentido, os investidores institucionais podem contar com certas regras para facilitar a entrada em investimentos unificados. Mas também é possível investir indiretamente, por meio de produtos financeiros ofertados na própria Bolsa brasileira.

 
BDRs
Uma primeira maneira de obter resultados a partir do desempenho de empresas chinesas é por meio de Brazilian Depositary Receipts (BDRs), papéis que espelham ações de empresas listadas em Bolsas estrangeiras.

Confira algumas BDRs de companhias chinesas na B3:

 

ETF XINA11

No Brasil, em 2020, foi lançado na B3 um novo fundo de investimentos focado nas ações chinesas. Com o nome de XINA11, esse ETF surge como uma oportunidade para os brasileiros que pretendem aproveitar o crescimento econômico chinês.

ETF é uma sigla que vem do inglês Exchange-Traded Fund. Eles são fundos de investimentos que têm suas cotas negociadas em Bolsa de Valores e que apresentam uma gestão passiva, cujo objetivo é replicar índices de determinados mercados.

No caso do XINA11, o índice utilizado é o MSCI China, que, como mencionado, é composto por mais de 700 empresas chinesas de grande e médio porte, incluindo ações listadas em outros mercados.

Companhias como a Alibaba (com mais de 1 trilhão de dólares em vendas) e a Tencent Holdings (com mais de 600 bilhões de dólares em valor de mercado) fazem parte da carteira que compõe o XINA11.

 

As vantagens e desvantagens de investir na China

Investir na China é uma ótima estratégia para conseguir bons rendimentos na renda variável. Mas existem certos riscos. Confira a seguir algumas vantagens e desvantagens em investir no mercado chinês.

 

VANTAGENS

• Segunda maior economia global: com taxas de crescimento que chamam atenção do mundo todo, a China atingiu a segunda maior economia do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos;
• Abertura do Mercado de Capitais: apresenta o segundo maior mercado de ações e títulos do planeta. Gradualmente, as restrições a investidores estrangeiros têm sido derrubadas;
• Domínio global das empresas: as companhias chinesas crescem cada vez mais, prometendo, aos poucos, dominar todo o mercado. São exemplos a Xiaomi, Alibaba e Baidu.

 

DESVANTAGENS

• Intervencionismo do Estado: por conta do modelo político do país, o governo tem forte poder de controle econômico, o que pode dificultar determinadas ações das empresas, visto que a prioridade é o mercado interno;
• Crescimento alto, baixa rentabilidade: algumas das empresas chinesas optam pela estratégia de priorizar o crescimento em detrimento da rentabilidade. Esse modelo de negócio pode ser desvantajoso, dependendo do objetivo e perfil do investidor.

 

Ao investir na China, como você pôde perceber ao longo deste artigo, além de ter acesso a mais ativos que ajudarão no processo de diversificação de sua carteira, você terá também mais oportunidades para rentabilizar seu capital.

Com a abertura do ETF XINA11, isso se tornou ainda mais acessível ao investidor brasileiro. Lembre-se de levar em consideração os seus objetivos e contar com um bom banco para investidores!

Você conhecia estas informações sobre investimento no mercado chinês? Compartilhe com os seus amigos nas redes sociais para que eles também fiquem por dentro dessa excelente oportunidade!