Quase que diariamente as pessoas se deparam com o assunto inflação nos noticiários. Quem era nascido ou adulto durante a década de 80 e o início da década de 90 sentiu na pele os efeitos desse termo comum da economia.

Porém, ao longo do tempo, a inflação foi sendo controlada e, atualmente, está em um nível, no mínimo, aceitável — se compararmos com os números daquela época no Brasil e os de outros países da América do Sul, na atualidade.

Assim, muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre a inflação e como ela afeta o dia a dia. Pensando nisso, resolvemos escrever este artigo. Nele, mostraremos tudo o que você precisa saber em relação ao assunto. Acompanhe!

 

O que é inflação?

Para você começar a entender o que é inflação e como ela interfere na sua vida é preciso voltar no tempo, especificamente entre as décadas de 80 e 90.

Durante esses anos, o Brasil passou por um período chamado de hiperinflação. Nessa época, o indicador atingiu cerca de 80%. Depois de sete planos econômicos frustrados, trocas de governo e outros problemas, no ano de 1994 esse cenário chegou ao fim.

O conceito de inflação é muito simples de ser entendido. Basicamente, trata-se de um aumento generalizado e contínuo nos preços de bens e serviços de uma economia.

Quanto mais alto estiver esse índice, mais o poder de compra da moeda cai. Isso prejudica diretamente a população, fazendo também com que os investidores tenham medo de aplicar o seu dinheiro no Brasil — o que cria um efeito chamado de “fuga de capital”.

Como vimos, a hiperinflação foi um problema que assombrou o Brasil por muitos anos, tendo sido estabilizada com a criação do Plano Real durante o governo de Itamar Franco e sob a supervisão do então Ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso. O sucesso da implementação do plano foi o que impulsionou sua eleição como presidente do Brasil por dois mandatos consecutivos.

Até os dias atuais, depois da troca de tantos governos, os pilares que fundamentaram a estabilização da inflação no Brasil ainda são respeitados. Entretanto, o patamar inflacionário que vivemos hoje, apesar de controlado, por vezes não consegue mostrar impacto positivo na vida da maioria da população, visto que, os alimentos, por exemplo, são produtos de consumo que têm 20% de peso no principal índice inflacionário, o IPCA.

E com a crise provocada pela pandemia de covid-19, houve uma a queda na renda de muitas famílias, com isso, em determinado momento, o consumo diminuiu e o foco passou a ser na compra de alimentos de cesta básica. Com o aumento dessa demanda, os preços subiram, mesmo com o índice acumulado se mostrando relativamente baixo. Continue a leitura e entenda melhor os motivos para isso.

 

O que acontece quando os preços sobem?

O que acontece quando há um aumento generalizado e contínuo nos preços, é justamente a diminuição do poder de compra da população. E essas variações nos preços são indicados pela inflação.

Eventuais oscilações no valor de bens, produtos e serviços acontecem naturalmente, até mesmo em economias desenvolvidas que tenham baixíssimos índices de inflação. No entanto, quando há uma variação muito elevada, provocada por um aumento na demanda, o poder de compra pode ficar seriamente comprometido.

Durante os períodos de hiperinflação, por exemplo, o preço de um saco de feijão podia sair de Cr$ 10 para Cr$ 100 de um dia para o outro.

Os brasileiros recebiam os seus salários e corriam para os supermercados para comprar tudo o que podiam para liquidar toda a moeda que tinham na mão. Isso tinha que ser feito antes que os preços subissem bruscamente e o valor do seu salário não permitisse que absolutamente nada fosse comprado.

Obviamente, essa foi uma situação extrema, mas é um exemplo clássico para você entender o quanto a inflação impacta no seu dia a dia. Além disso, ela pode estar, nesse momento, prejudicando as suas finanças.

O aumento de preços de produtos na economia também gera uma forte sinalização ao mercado financeiro. Isso se dá pelo fato de que quanto mais descontrole há sobre a inflação, mais próximo o país fica de uma recessão.

Dessa forma, as instituições e pessoas físicas que investem no Brasil ou em qualquer outro país que esteja passando por problemas de controle da inflação têm certo receio em aplicar o seu dinheiro nesses momentos. Isso faz com que faltem recursos e investimentos no país.

 

Quais são os indicadores que medem a inflação?

A inflação é medida por diversos indicadores. Mostraremos cada um deles neste tópico. Continue lendo!

 

IGP-di e IGP-M

O Índice Geral de Preços — dividido entre Disponibilidade Interna (DI) e Mercado (M) serve para registrar e indicar, respectivamente, o aumento ou redução (deflação) dos preços de matérias-primas agrícolas, industriais, produtos para a construção civil e consumos; e serviços e contratos de aluguel.

 

IPCA

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo é um dos indicadores de inflação mais conhecidos do Brasil. Ele mede a variação de preços relacionados ao consumo das famílias brasileiras em 11 regiões metropolitanas do nosso país.

Nesse indicador, são considerados preço de alimentos, diversos medicamentos e alguns serviços que têm maior utilização pelos brasileiros.

 

INPC

O Índice Nacional de Preço ao Consumidor tem uma forma de cálculo semelhante ao IPCA. Entretanto, o objetivo é avaliar o custo de vida das famílias que têm uma renda que varia entre um e cinco salários-mínimos, ao indicar a variação dos preços do mercado varejista. Esse índice é obtido a partir dos resultados indicados pelos IPCs – que detalharemos a seguir – de cada região.

 

IPC-S

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal tem o objetivo de calcular a variação de uma lista de 425 produtos e serviços, de 12 capitais do país. A evolução de preços calculada pelo IPC-S acontece a cada quatro semanas, sendo que a coleta de preços desses itens é realizada semanalmente.

Para extrair o indicador, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), responsável pelo cálculo desse e de outros indicadores de inflação, foca em preços de produtos de higiene básica e alimentação.

 

CUB

O Custo Unitário Básico é um indicador comumente utilizado pela construção civil para fazer estimativas do valor total de um projeto de edificação.

Como ele determina o valor de uma obra que será executada, as flutuações inflacionárias também podem interferir no seu percentual. Logo, ele é entendido como um indicador de inflação.

 

INCC

Ainda dentro do setor da construção de imóveis, o Índice Nacional da Construção Civil tem por objetivo medir a evolução dos custos da edificação de unidades habitacionais.

Esse índice também é calculado pela FGV, que realiza mensalmente uma pesquisa em sete capitais, fazendo um levantamento sobre alterações dos preços dos materiais e equipamentos utilizados na construção desses imóveis, bem como os serviços necessários e a própria mão de obra que é implementada nesses processos. O percentual do INCC é divulgado até o 15° dia de cada mês e reflete sempre a inflação observada no mês anterior.

 

Qual o peso de determinados produtos ou serviços na inflação?

Agora que você conheceu os indicadores, é importante que entenda que existem alguns produtos que podem ter influência no cálculo da inflação. Eles geram esse impacto por terem uma variação de preços maior ou menor do que outros setores.

 

Alguns exemplos de produtos que impactam o cálculo da inflação são:

  • Serviço de energia elétrica;
  •  Fornecimento de água e esgoto;
  •  Telefonia;
  •  Transportes, entre outros.

Para você ter ideia desse impacto, pense que o cálculo de preços do serviço de transporte tem um peso maior que o do leite, por exemplo. Por isso, esses serviços podem ter um impacto significativo no fechamento da inflação de um período.

 

Como o Governo Federal pode influenciar na inflação?

O Governo Federal tem um papel importantíssimo no controle da inflação, envolvendo, especialmente, a participação do Ministério da Economia e, até mesmo, do próprio Banco Central do Brasil (BCB).

O governo, por intermédio dos representantes, é quem administra os recursos públicos e pode fazer certa pressão em produtos ou serviços. Outra influência que ele pode fazer na inflação é por meio da cobrança de impostos.

Quando o Governo Federal eleva os tributos que recaem em produtos e serviços, é natural que os preços sejam inflacionados.

Outro mecanismo utilizado para tentar controlar a inflação é aumentar as taxas de juros, o que desestimula a procura por crédito e consequentemente o consumo. Com uma redução na demanda, os preços naturalmente tendem a cair.

O controle de gastos do governo também deveria ser uma estratégia adotada para controlar a inflação. Afinal, estruturas governamentais grandes precisam de muitos recursos para serem mantidas, o que consequentemente gera inflação.

Também existem casos em que é possível aumentar a produção de determinados produtos e serviços para controlar a inflação. Ao potencializar a disponibilidade desses itens, é comum que os preços se mantenham estáveis.

 

Um país com alta inflação tem uma economia ruim?

Para finalizar este artigo, é importante interpretar adequadamente a taxa da inflação. Ela é constantemente associada a países que têm uma economia ruim. Afinal, é comum verificar que processos inflacionários altos, geralmente, estão em governos que têm certas dificuldades econômicas.

No entanto, é importante destacar também que há outro tipo de inflação não mencionado neste artigo, derivado do aumento nos custos de produção dos empresários – o que inclui salários, insumos e impostos –, chamada de inflação de custos.

Dessa forma, quando há um aumento nos custos de produção, a oferta desses bens é reduzida no mercado por seus produtores, o que naturalmente eleva os preços para o consumidor.

Como você pôde perceber, a inflação, quando descontrolada, pode ser um grande problema para a economia de um país, visto que impacta o custo de vida de todos os seus cidadãos. Por isso, é tão importante que você tenha uma carteira de investimentos diversificada para garantir tranquilidade e segurança financeira em momentos de crise.

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