Para operar na Bolsa de Valores é essencial que você entenda os diversos cenários que podem impactar a performance da sua carteira de ativos. Um deles é o short squeeze.

Entre os principais movimentos de mercado, esse pode ser um dos mais complexos e que demanda bastante atenção por parte dos investidores. Ele traz consequências para a operação, que podem ser prejudiciais para o resultado. Quer aprender mais e se tornar um expert no assunto? Continue a leitura deste post!

 

Afinal, o que é short squeeze?

Na prática, um short squeeze acontece quando há muitas posições short (vendido) e o preço daquele mesmo papel sobe súbita e drasticamente, obrigando quem está nessa posição, a comprar as ações para evitar maiores perdas .

Esse alto crescimento no preço do papéis em um curto espaço de tempo também chama a atenção dos investidores que haviam emprestado suas ações em aluguel doador, os levando a pedi-las de volta aos operadores que acreditavam que o seu preço cairia – fato que, por sua vez, havia motivado esses a pegar tais ações emprestadas por meio de um aluguel tomador.

E as consequências desse movimento parecem não ter fim: conforme os investidores – seja os que estão vendidos e querem encerrar suas posições, seja os que querem apenas aproveitar a valorização do papel – vão comprando, o preço das ações continua a subir, o que pode se tornar ainda mais desastroso para quem ainda não encerrou uma posição short.

Nesse sentido, veja o seguinte exemplo: uma ação custava R$ 32 e você entrou em uma posição short, ou seja vendeu os ativos sem tê-los em sua carteira originalmente, acreditando que haveria uma queda no preço.

No entanto, as ações começam a apresentar o movimento inverso ao esperado, sem que nada de relevante, que explique a súbita e forte alta nos preços dos papéis, tenha sido feito pela empresa emissora deles. A sua tendência é, então, comprar essas ações, o que encerraria sua posição short.

Logo, o short squeeze é produto da especulação no mercado financeiro, visto que, nesse caso, o aumento no preço dos papéis aconteceu de forma inesperada, brusca e também, como fruto da alta demanda provocada pelas operações de compra dos investidores que, até então, estavam em uma posição short.

 

Case GameStop

No início de 2021, esse fenômeno aconteceu com as ações da GameStop, uma empresa que atua no varejo de games nos Estados Unidos, com foco na venda em lojas físicas.

Para se ter noção, as suas ações tiveram uma valorização de, aproximadamente, 1.964,44% entre os dias 8 e 27 de janeiro, quando as ações que estavam cotadas a US$ 17,69, chegaram a bater US$ 347,51.

Até ano retrasado, a empresa estava fora do foco de muitos traders. Com o avanço da Covid-19, em 2020, as ações da GameStop vinham apresentando uma tendência de quedas contínuas.

Assim, grandes investidores institucionais e fundos de investimento passaram a abrir posições short. Como você viu ao longo deste artigo, uma operação short é uma estratégia onde o trader vende ações que não havia originalmente comprado – após ter tomado emprestado, por meio de um aluguel, essas ações de outro investidor que as comprou –, tendo como expectativa a queda no preço delas.

Se o preço das ações cai, esse trader então estará obtendo lucro em sua operação, pois quando recomprá-las para devolver ao investidor dono das ações, ficará com a diferença entre o preço de venda (de sua operação short) e de compra. No entanto, se ao invés de o preço das ações subir, ele cair, o investidor então acumulará no encerramento da posição, um prejuízo.

Com a GameStop, o que aconteceu foi uma valorização abrupta das ações, fruto de um movimento combinado por pequenos investidores, que compraram as ações, elevando o preço delas, obrigando os traders que estavam na posição short a zerarem suas posições. A questão é que, com isso, esses investidores acabaram comprando as ações por um preço superior ao que havia sido vendido.

 

O que leva ao short squeeze?

Você já sabe que o short squeeze é resultado da especulação de mercado realizada a partir de uma forma de manipulação de preços – ou não –, que infla os preços das ações de forma brusca e repentina, obrigando quem estava em posições short a encerrar suas operações, mesmo que com prejuízo. Conheça, a seguir, os três cenários possíveis que podem estimular o surgimento desse fenômeno.

  1.  Quando investidores que alugam as suas ações não estão mais dispostos a renovarem os seus contratos;
  2. Quando a quantidade de posições vendidas está próxima do limite de free float;
  3. Quando os investidores que estão na ponta doadora cobram uma taxa alta pelo aluguel dos ativos.

O que é aluguel de ações?

Quando você se deparou com esse termo, deve ter se perguntado o que isso significa, não é verdade? O aluguel de ações é uma estratégia utilizada de duas formas: como doador e como tomador.

O doador é o investidor que quer manter uma posição comprada em um ativo durante um longo período, esperando a sua valorização e que, enquanto isso, disponibiliza seus papéis para que possa ser alugado por outro investidor.

Esse aluguel é rentabilizado, ou seja, a doação na verdade acontece em troca de uma remuneração percentual que será cobrada ao tomador, proporcionalmente ao tempo em que ele mantiver aqueles ativos em sua carteira disponíveis para serem utilizados em uma operação short.

 

O que é free float?

O free float representa as ações que estão em livre circulação. Ou seja, o percentual de ações emitidas pela empresa que está sendo negociado livremente na Bolsa de Valores.

No Brasil, estipulado pela B3, a nossa Bolsa, o limite é de 20% em free float para operações de aluguel de ações, fora o fato de que há uma limitação por investidor de apenas 5% do que está em free float poder ser utilizado para operações vendidas com determinado papel.

 

Como é possível prever e evitar isso?

Avaliar os cenários macroeconômicos e as tendências do mercado são as melhores formas de se prever certos movimentos no mercado financeiro. Claro que alguns acontecem de maneira muito rápida e podem surpreender muitos investidores. No entanto, para identificar um movimento de short squeeze, é, praticamente, indispensável ter na sua rotina a análise gráfica de cada ativo da sua carteira.

Agora que você já sabe porque um short squeeze acontece, acompanhe com atenção, a seguir, um ponto importante a ser considerado, para uma boa gestão de sua carteira de ativos.

 

Média móvel diária

Os gráficos sempre são um dos melhores aliados para os traders tomarem decisões mais inteligentes.

Analisar os gráficos que mostram a média móvel diária é importante para identificar a que nível de preço uma ação foi negociada por um determinado período de tempo. Para isso, é interessante que a sua análise considere um intervalo dos três últimos meses.

 

É preciso avaliar se há picos no preço de uma ação, quando ocorreu e buscar no histórico do mercado sinais que justifiquem esse movimento.

 

Uma dica para melhorar as suas análises é criar uma tabela e um clipping de notícias relacionadas aos ativos da sua carteira. Isso vai ajudar você a identificar com mais facilidade os padrões que geram impactos na performance.

 

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