Como você já sabe, no dia a dia, o que movimenta a Bolsa de Valores, são as operações de compra e venda de ativos. E dentre as diversas estratégias das quais esse mercado proporciona, existe uma chamada de venda a descoberto.

Essa é uma forma de especulação que é responsável por possibilitar rentabilidade, no curto prazo, com a desvalorização de ativos dos quais o investidor não possui em carteira.

No entanto, antes de utilizar esse tipo de estratégia, é importante conhecer a fundo a técnica e os riscos envolvidos nela. Pensando na importância do assunto, nós resolvemos escrever este artigo. Nele, mostramos tudo o que você precisa saber sobre a venda a descoberto. Acompanhe e conheça mais!

 

O que é a venda a descoberto?

A venda a descoberto é uma estratégia comumente utilizada no mercado de renda variável e aplicada tanto em operações com derivativos, quanto com ativos negociados no mercado de Bovespa, como as ações. Ela pode ser conceituada como uma técnica em que se tem por objetivo vender determinado ativo que você, na realidade, não possui e comprá-lo por um valor inferior.

A diferença entre o preço de venda e o de compra é o resultado da sua operação, que pode ser positiva ou negativa, dependendo da direção que o mercado tomou após a sua entrada. Assim, no caso da venda a descoberto, para que a operação seja rentável, a recompra do ativo deve ocorrer por um preço inferior ao da venda.

Essa prática, comum em Bolsas do mundo todo, também é conhecida como short selling ou apenas short. Embora pareça um pouco complicada, a ideia por trás do conceito é muito simples, como você verá no tópico seguinte.

 

Como funciona a venda a descoberto?

A venda a descoberto é muito útil quando aplicada em mercados que estão em tendência de baixa. Com isso, podemos perceber que o mercado financeiro abre um leque infinito de oportunidades para o investidor.

Como é possível ter rentabilidade em cenários de alta ou baixa, você não precisa necessariamente preocupar-se com os ânimos do mercado – dependendo, é claro, de seus objetivos e das estratégias que você utiliza –, precisa apenas identificá-los e tomar suas decisões com base nisso.

Para que você tenha um entendimento de forma mais simplificada, vamos ilustrar com um exemplo fictício. Suponhamos que você conheça uma pessoa que pretende pagar R$ 4.500 em um smartphone qualquer.

Você sabe de uma loja que vende o mesmo aparelho pelo valor de R$ 4.000. Então, você garante ao comprador entregar o celular no mesmo dia, e assim, recebe o valor do qual ele está disposto a pagar – os R$ 4.500 –, dirige-se até esse estabelecimento, adquire o smarthphone por R$ 4.000 e o entrega ao comprador interessado.

Consegue perceber que, nesse caso, você vendeu algo que não tinha e comprou posteriormente por um valor menor, obtendo, assim, uma rentabilidade de R$ 500 na operação?

Na Bolsa de Valores, funciona de forma semelhante. O investidor vende um ativo que ele não tem, por um determinado preço com o objetivo de recomprá-lo mais barato. Se isso acontecer, a rentabilidade ocorrerá a partir dessa diferença de preços.

Agora que você entendeu como a venda a descoberto funciona, mostraremos as duas situações em que elas podem ocorrer.

 

Venda a descoberto que encerra em um dia

A venda a descoberto, quando iniciada e encerrada em um mesmo dia, caracteriza-se como uma operação do tipo Day Trade. Apesar de o Day Trade em si ser considerado um tipo de operação mais arrojado, praticá-lo em vendas a descoberto, de certo modo, simplifica a operação.

A explicação para isso – e ao tratarmos especificamente de ações, units, ETFs e BDRs – é que, nesse caso, não há a necessidade de se realizar um aluguel, do qual explicaremos com mais detalhes no tópico seguinte.

 

Venda a descoberto que ultrapassa um dia

O outro caso que temos é o do investidor que vende a descoberto acreditando na queda dos preços nos dias seguintes. Para esse caso – e mais uma vez, ao tratarmos especificamente dos ativos mencionados no tópico anterior –, é necessário que ocorra um aluguel dos ativos que serão vendidos.

Isso se dá pelo fato de que, ao vender uma ação, por exemplo, você a está entregando a um comprador, que espera tê-las em sua custódia após o prazo de liquidação, que no caso das operações com ações à vista ocorre em dois dias úteis. Assim, por não comprar as ações no mesmo dia, em dois dias úteis elas não seriam entregues ao comprador.

Para evitar esse “descasamento” no mercado, o vendedor deve tomar essa ação emprestada, para poder, dessa forma, entregar o ativo ao comprador.

No entanto, pegar uma ação emprestada, ou seja, “tomar um aluguel” custará ao investidor, mais do que as comuns taxas operacionais. Um contrato de aluguel de ativos requer o pagamento de uma taxa de remuneração ao doador – que é quem empresta os ativos –, além da taxa de registro paga à B3, na liquidação desse contrato.

O serviço de empréstimo de ativos é oferecido pela B3, sendo que os contratos de empréstimos são registrados no Banco de Títulos CBLC (BTC). Para melhor compreensão de como essa operação ocorre, vamos utilizar um exemplo.

Imagine que um investidor venda a descoberto uma ação cotada em R$ 20 e identifica em suas análises, que o preço não cairá o suficiente para garantir o rendimento esperado no mesmo dia. Com isso, ele decide manter-se posicionado nessa operação por mais dias, e dessa forma, aluga a ação na mesma quantidade vendida.

Depois de alguns dias, ele percebe que esse mesmo ativo está sendo negociado a R$ 15. Nessa situação, o investidor decide recomprar as ações, podendo então devolver as que haviam sido alugadas, ficando com o lucro líquido após a apuração dos custos envolvidos na operação.

 

Quais são os riscos existentes?

O risco principal da venda a descoberto é quando o ativo valoriza-se – o que pode ocorrer infinitamente, já que nenhum ativo tem um limite de valorização – em vez de continuar um movimento de queda. Nesses casos, o mais correto a se fazer é avaliar a necessidade de assumir o prejuízo encerrando a operação, para evitar que ele se torne maior que as suas possibilidades de suportá-lo.

Portanto, é fundamental que você tenha um bom planejamento de investimentos para saber quanto pode arriscar em uma única operação. Uma dica importante é definir uma ordem de compra em um preço acima da sua entrada, garantindo que o seu risco seja controlado. Essa estratégia é o que chamamos de Stop Loss.

Por isso, é tão importante que você se arme com muito conhecimento e sempre conte com a orientação de profissionais especializados no mercado financeiro antes de ingressar em uma operação.

Em vista disso, podemos concluir que a venda a descoberto é uma operação que pode ser muito interessante e rentável. Contudo, para que isso ocorra e você tenha mais chances de obter bons resultados, é importante não parar por aqui e continuar estudando sobre esse assunto antes de realizar suas operações, ficando munido de muito conhecimento técnico sobre o assunto.

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