Reserva de emergência é um dinheiro guardado para ser utilizado em caso de imprevistos, como um desemprego ou uma doença, por exemplo.

Como o nome sugere, a reserva de emergência é uma garantia de que você será capaz de manter seu estilo de vida (eliminando, claro, os excessos) por um determinado período, caso enfrente alguma dificuldade que o impeça de ganhar dinheiro de forma ativa.

Sem dúvida, uma das coisas que mais tiram o sono de qualquer pessoa são os boletos a pagar. Ser incapaz de sustentar uma casa, comprar alimentos para a família ou manter o mínimo viável para uma vida de qualidade, pode afetar – e muito – as condições emocionais de qualquer um.

Por isso, é extremamente importante que você esteja preparado e planejado para superar imprevistos. Nesses casos, é melhor não tentar contar com a sorte. Para você entender o que é e como montar a sua reserva de emergência, continue sua leitura.

O que é reserva de emergência?

Reserva de emergência diz respeito a um valor reservado exclusivamente para cobertura de eventuais imprevistos ou dificuldades.

O fundo ou reserva de emergência é um montante de dinheiro que você terá guardado, intocável, exclusivamente para pagamento das suas despesas básicas em caso de algum imprevisto.

Pode parecer que faz parte apenas de ditados populares, mas, antigamente, era comum que as pessoas fizessem reservas que ficavam guardadas em colchões ou cofrinhos.

No entanto, com a educação financeira estando mais acessível, hoje, a maioria das pessoas sabe que guardar dinheiro em casa não é uma boa opção.

Por isso, você pode montar sua reserva de emergência fazendo aportes recorrentes em algum investimento de baixo risco e que ofereça alta liquidez: dessa forma, seu dinheiro estará acessível a qualquer momento e, ao mesmo tempo, estará rendendo.

Para que serve a reserva de emergência?

É verdade que a economia nacional tem sofrido altos e baixos, desde sempre. Crises econômicas afetam indústrias, causando desempregos. A mais recente, com início em 2020, provocada pela pandemia de coronavírus, deixou mais de 13,9% da população brasileira em cenário de desocupação.

E não precisa ter crise mundial para você correr o risco de perder o emprego, certo? Essa é uma realidade possível para qualquer funcionário de carteira assinada.

Se você é um profissional autônomo ou empresário, o risco é diferente, mas existente: de uma hora para outra você pode, simplesmente, parar de vender seus serviços ou produtos.

Além de problemas com o trabalho, existem, ainda, outras situações que podem incapacitar uma pessoa de sustentar sua própria casa, como um acidente ou uma doença.

Para todos os casos, a reserva de emergência é fundamental. É esse dinheiro guardado que vai garantir o sustento de uma pessoa (ou uma família) por um tempo determinado.

Com ela, é possível manter uma qualidade de vida adequada e ter mais tranquilidade para buscar novas oportunidades ou alternativas para sair da situação emergencial em que se encontra.

Quem deve montar uma reserva de emergência?

Agora que você entendeu o que é e para que serve uma reserva de emergência, hora de saber: quem deve, afinal, montar uma reserva de emergência?

Essa pergunta tem uma resposta fácil: todo mundo. Ainda que você não seja o provedor principal de sua casa (no caso de você ser um jovem estudante que mora com os pais, por exemplo), a reserva de emergência é essencial para:

  • Apoiar o provedor, em caso de necessidade;
  • Ser capaz de se sustentar, caso seja impossibilitado de obter dinheiro de forma ativa;
  • Construir uma base resistente para iniciar no caminho dos investimentos – incluindo os mais arrojados.

Ou seja: além de auxiliar nas questões emergenciais, a reserva de emergência também é o primeiro passo para qualquer investidor: ninguém, jamais, deve (ou, pelo menos, deveria) investir em ações, por exemplo, antes de ter uma reserva de emergência consolidada.

Portanto, se você tem algum tipo de renda, seja por meio do trabalho ou mesada dos seus pais, comece sua reserva de emergência agora mesmo!

E, se você está enfrentando dívidas, comece sua reserva também. Para tudo existe saída: basta que você faça um planejamento e se comprometa com ele.

Qual o valor adequado como reserva de emergência?

Certo, mas qual o valor adequado para se ter como reserva de emergência? Depende de cada um, visto que a reserva de emergência deve ser montada de acordo com a sua realidade, seu estilo de vida e suas necessidades.

Recomenda-se que a reserva de emergência acumule um montante suficiente para pagar as suas contas e despesas básicas por, pelo menos, seis meses, isso se atualmente você depende da uma renda fixa.

Um semestre é o tempo que você teria, nesse caso, para recuperar o emprego ou pensar em novas formas de obter renda, mantendo, é claro, o sustento de sua casa e sua família.

Agora, se você depende de uma renda variável, como por exemplo, é o caso de muitos autônomos, recomenda-se um monte equivalente às suas despesas básicas por, pelo menos, 12 meses.

Mas você pode, se desejar, ter uma reserva de emergência capaz de cobrir um período mais longo: como mencionamos, o montante final vai depender das necessidades e prioridades de cada um.

Como montar uma reserva de emergência

Agora que você entendeu o quão importante é ter uma reserva de emergência, vamos a um passo a passo simples que ajudará você a organizar um plano adequado para montar a sua reserva, de acordo com a sua realidade. Acompanhe!

Entenda o que é desejo e o que é necessidade

Antes de sair listando suas despesas, você precisa saber diferenciar o que são desejos e o que são necessidades – conceitos que podem variar de acordo com cada realidade.

Fazer as unhas na manicure, por exemplo, pode ser uma necessidade caso você tenha algum problema de saúde em relação às unhas, algo que exija um atendimento e cuidado profissional.

Então, só cabe a você entender e saber definir o que é desejo e o que é necessidade na sua vida. A partir dessas definições claras, você poderá avaliar, item a item da sua lista de despesas, o que você pode e o que não pode eliminar em caso de uma emergência.

Liste as despesas básicas (elimine os supérfluos)

Agora sim, você pode listar todas as suas despesas atuais, eliminando aquelas que são supérfluas, ou seja, as que não fazem parte da sua categoria de “necessidade”.

Ter uma rotina semanal de lazer, o que pode incluir idas ao cinema ou encontro com os amigos, por exemplo, pode fazer parte da sua lista de supérfluos durante um período em que você, eventualmente, esteja mantendo suas necessidades básicas apenas com uma reserva de emergência.

Vale lembrar que certos itens que compõem sua rotina atual podem ser adaptados ou removidos, no entanto, é importante ter em mente que essas alterações serão temporárias.

A recomendação de manter apenas os itens necessários, serve, também, para que você obtenha um valor final aplicado em uma reserva de emergência o quanto antes. Se esse valor for excessivo e considerar itens supérfluos, talvez você demore mais tempo para alcançá-lo.

Calcule o valor ideal da sua reserva

Com todas as despesas listadas, e estando claro quanto elas exigem parte do seu orçamento, você deve multiplicar o total mensal por seis (ou pela quantidade de meses que você considerar importante para essa cobertura).

Esse é o montante necessário para manter suas despesas em dia, em caso de algum imprevisto. Claro que, aqui, ainda não estamos considerando fatores como a inflação.

Mas serve como base de cálculo – afinal, sua reserva de emergência estará aplicada em algum investimento, que deve ser de baixo risco e proteger o seu poder de compra.

Determine um prazo para montagem da reserva

Sabendo o quanto você precisa reservar, é hora de determinar um prazo máximo para conclusão de sua reserva de emergência. Considere, claro, a sua realidade financeira: quanto você tem disponível para um aporte inicial ou aportes mensais?

Faça um planejamento financeiro

Por fim, mas não menos importante: faça um planejamento financeiro. Até aqui, você já sabe de quanto precisa e em quanto tempo estará com sua reserva de emergência pronta para uso em caso de extrema necessidade. Leve esse compromisso a sério!

Enquanto ainda está criando a sua reserva de emergência, evite cair em tentações como promoções no shopping ou uma viagem de última hora, a não ser que você tenha condições de, ainda assim, manter o acordado com você mesmo em relação à sua reserva de emergência.

Lembre-se que a reserva de emergência é uma forma de você garantir que você terá recursos para atender às suas necessidades básicas e indispensáveis, em situações financeiras críticas, como desemprego ou a incapacidade de trabalhar, em função de uma doença, por exemplo. Lembre-se que a tranquilidade emocional e a saúde financeira, andam lado a lado.

Onde deixar a reserva de emergência?

Como já mencionado, a reserva de emergência não é aquele dinheiro guardado embaixo do colchão – nem os dólares que você pode ter escondido em um cofre no guarda-roupas.

Ela precisa oferecer:

  • Rentabilidade, a fim de fazer com que sua reserva cresça de forma passiva ao longo do tempo (por meio dos juros compostos, por exemplo);
  • Alta liquidez, que permita resgate dos recursos a qualquer momento.

Outro fator crucial é o risco atrelado ao investimento: se é uma reserva de emergência, naturalmente você não pode expor o valor a grandes riscos de oscilação. Assim, é recomendado que você opte por ativos de baixíssimo risco, como é o caso da renda fixa. Para o seu fundo emergencial, considere os produtos indicados abaixo:

Tesouro Selic

Os títulos do Tesouro Direto são emitidos pelo Governo Federal e funcionam como uma espécie de empréstimo. Neste caso, você estaria emprestando dinheiro para investimentos em setores públicos, como saúde, infraestrutura, educação, entre outros.

Atualmente, há três tipos de títulos: os prefixados, os indexados ao IPCA (inflação) e os indexados exclusivamente à taxa básica de juros Selic. Dentre os títulos disponíveis, o mais recomendado é o Tesouro Selic. A rentabilidade desse título é calculada em cima da taxa Selic, a principal taxa da economia nacional.

Levando em consideração que esse título tem desempenho superior ao da poupança, tem liquidez diária e possui como indicador de referência para sua rentabilidade pós-fixada, a principal taxa de juros do país (a Selic) – que está, atualmente, em 3,5%, com previsão de alta para 5,5% até o final do ano, segundo o relatório Focus –, é considerado uma das principais opções para composição de sua reserva de emergência.

CDB de liquidez diária

Semelhante ao Tesouro Selic, o CDB é um título em que o investidor estará emprestando dinheiro para determinadas operações. Mas, neste caso, o emissor do título (e quem estará pegando esse empréstimo) são os bancos.

Existem inúmeros produtos de CDB no mercado e você precisa ficar atento a isso: para a reserva de emergência, busque um CDB com liquidez diária.

Como você não sabe quando irá precisar do dinheiro da reserva, é importante que você possa resgatar o valor a qualquer momento. No caso do CDB com liquidez diária, o recurso pode ser disponibilizado no mesmo dia da solicitação de resgate.

Onde NÃO investir sua reserva de emergência?

Como você já sabe, a reserva de emergência deve estar disponível de forma fácil e rápida, para ser utilizada em caso de imprevisto.

Por isso, investir em produtos com baixa liquidez (de difícil ou demorado acesso ao valor investido, como é o caso de um imóvel por exemplo) ou com limitações de vencimento, não lhe darão a segurança e tranquilidade que a reserva de emergência se propõe.

Para esse objetivo, você deve evitar produtos financeiros que exijam um mínimo de permanência, ou cujas taxas sejam altas em caso de solicitação antecipada de resgate.

Como mencionado ao longo deste artigo, outro ponto fundamental a ser observado, diz respeito à exposição ao risco: sua reserva de emergência não pode, em hipótese alguma, estar atrelada a investimentos de alto risco.

Até mesmo alguns investimentos de renda fixa devem ser evitados quando o assunto é reserva de emergência, como, por exemplo:

  • Poupança, que proporciona baixo poder de compra, devido à inflação;
  • LCI e LCA, que, apesar de serem encontrados em diferentes prazos e protegidos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), oferecem, na maioria dos casos, baixa liquidez;
  • LC (Letra de Câmbio) que, apesar de serem semelhantes aos CDBs, não costumam oferecer boa liquidez e, sim, prazos de resgate bem longos.

Onde investir após montar a reserva de emergência?

Quando concluída sua reserva de emergência, aí sim, você pode – e deve – começar a tomar outros rumos nos seus investimentos.

Aproveite que você já está adaptado à rotina de fazer aportes mensais e continue investindo. Nessa etapa, você poderá buscar produtos mais rentáveis, seja em função de um vencimento fixado a longo prazo, seja pelo risco assumido.

Nesse cenário, e, claro, de acordo com o seu perfil de investidor e objetivos financeiros, você terá em mãos diversas opções, como:

A reserva de emergência é o passo inicial para qualquer pessoa que busca conquistar sua independência financeira e, também, manter o equilíbrio em sua vida, sendo capaz de cobrir despesas básicas e essenciais em casos de necessidade.

Essa é uma etapa indispensável, inclusive, para quem está iniciando suas aplicações no universo dos investimentos, ou para quem já investe e não se preparou, no início, para situações de vulnerabilidade financeira.

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