O termo hedge está relacionado à segurança em investimentos, no entanto, o conceito é bastante amplo e dificilmente poderia ser explicado com uma única frase. Pensando nisso, nós resolvemos escrever este artigo.

Nele, você descobrirá tudo o que está por trás do hedge e como utilizar esse conceito para tornar suas aplicações mais seguras. Acompanhe!

O que é hedge?

O hedge pode ser conceituado como um tipo de proteção que visa reduzir o risco de movimentos adversos no preço do ativo. Essa estratégia é utilizada no mundo inteiro, entretanto, tem finalidades especiais no mercado brasileiro que sofre com frequentes oscilações das mais variadas fontes, tais como: políticas, econômicas, sociais, entre outros elementos que movimentam os preços.

Para você entender melhor como funciona o hedge, ele pode ser comparado com a contratação de uma apólice de seguro — apenas para fins didáticos, visto que, na prática, um conceito não tem absolutamente nenhuma relação com o outro. Quando você possui uma casa em uma região propensa a inundações, por exemplo, vale a pena proteger esse ativo quanto a esse risco, correto?

Para tanto, você contrata a cobertura de inundações em sua apólice de seguro. Nesse exemplo, você não consegue impedir uma inundação, mas consegue trabalhar com antecedência para mitigar os prejuízos que isso pode causar. Existe uma troca de risco versus recompensa que reduz o risco em potencial, mas também diminui os ganhos que podem ser obtidos.

Essa segurança não é gratuita, o seguro contra inundações exige o pagamento mensal, mesmo que o infortúnio segurado não venha a ocorrer. Logo, você paga por uma coisa e tem um risco de nunca receber por ela. Mesmo assim, a maioria das pessoas preferem fazer esse tipo de contratação que correr o risco de perder repentinamente o seu teto e tudo o que existe dentro dele.

Com isso em mente, vamos trazer a realidade para o mundo dos investimentos de modo que você entenda de uma vez por todas o que é o hedge. Ele funciona de forma semelhante a situação hipotética que mencionamos anteriormente. Os investidores utilizam as práticas de hedge para reduzir e controlar a sua exposição aos riscos.

Para tanto, ele se utiliza de diversos instrumentos de maneira estratégica para compensar os movimentos adversos do mercado e a melhor forma de fazer isso é aplicar o dinheiro em outros tipos de ativos de forma direcionada e controlada.

Logo, o hedge no mercado financeiro é um pouco mais completo do que, simplesmente, pagar pelo prêmio mensal de uma apólice de seguro. Portanto, até este momento é importante que você tenha em mente alguns princípios básicos. O hedge é uma forma de cobertura ou proteção para o seu patrimônio.

Desse modo, passaremos para os próximos tópicos em que mostraremos o funcionamento desse conceito na prática. Continue lendo!

Como funciona o hedge financeiro?

Entendido o conceito, passaremos para a parte prática deste instrumento de proteção. As principais técnicas de hedge financeiro, geralmente, envolvem a utilização de alguns instrumentos financeiros que são denominados de derivativos, sendo que os mais comuns são as opções de papéis e o mercado futuro.

 

Para você entender como isso pode ser aplicado à sua carteira de investimento, vejamos um exemplo na prática.

 

Suponhamos que você tenha ações preferenciais de Petrobras (PETR4) e, embora acredite na valorização desse papel ao longo dos anos, está um pouco preocupado com algumas perdas de curto prazo, por exemplo, como as que ocorreram no mês de março de 2020 em decorrência da crise que o mundo vivenciou, acerca do preço e produção de petróleo.

Tudo isso além das demais incertezas internacionais.

Para não ficar com “a pulga atrás da orelha” e se desfazer da aplicação, tendo prejuízos com a venda em um preço abaixo da sua entrada, você pensa em se proteger de possíveis quedas abruptas da PETR4.

Sendo assim, compra opções de venda (Put) de PETR4, que daria o direito de vender o papel por um valor específico (preço de exercício), independentemente do preço cotado da ação, até uma data específica (vencimento da opção).

Alguns investidores chamam esse tipo de aplicação como “venda casada”. Caso o preço das ações caiam, os prejuízos seriam “limitados” pelo valor obtido ao exercer as opções de venda, adquiridas para hedge.

Esse é apenas um exemplo clássico de como você pode fazer o hedge financeiro utilizando opções de ações.

Entretanto, isso pode ser efetuado com outros ativos, os quais discorreremos em outro tópico deste artigo para que você possa entender melhor como funciona o conceito e, principalmente, como aplicá-lo em seus investimentos, buscando obter proteção e mais segurança para sua carteira.

 

Qual a importância do hedge financeiro?

O mercado financeiro se tornou muito atrativo nos últimos meses, especialmente, a partir do ano de 2019. Foi esse o momento em que se iniciou um novo ciclo de crescimento econômico no país impulsionado pela aplicação de novas metodologias e ideologias financeiras que tinham como principal objetivo o “destravamento” da economia nacional, incentivo ao consumo interno, entre outras ações.

Com isso, testemunhamos os papéis das empresas brasileiras valorizarem substancialmente ao longo do ano de 2019. No início de 2020 o Ibovespa — principal indicador da Bolsa de Valores e que é composto pelo valor das ações mais comercializadas no país — chegou a bater inacreditáveis 119.527,63 pontos.

Entretanto, poucas semanas depois dessa marca histórica, fomos assolados pela notícia de que os primeiros casos de coronavírus estavam sendo notificados no Brasil. Foi uma verdadeira “catástrofe financeira”. A Bolsa de Valores interrompeu as negociações com o chamado Circuit Breaker e o Ibovespa despencou cerca de 30%, enquanto algumas moedas tinham seus valores disparando para cima.

A consequência disso é que milhares de brasileiros que entraram no mundo da renda varável no ano de 2019 acabaram perdendo dinheiro graças à enorme desvalorização que ocorreu nas ações. A pergunta que fica no ar é a seguinte: seria possível amenizar esse prejuízo quando ele ocorreu? A resposta é única: sim e isso somente poderia ter sido feito se essas pessoas, antes de realizarem suas operações, tivessem pensado em montar um hedge para proteger sua carteira. 

A facilidade de acesso das pessoas à Bolsa acabou fazendo com que muitos começassem a investir com pouco ou nenhum conhecimento do assunto. Com isso, apenas abriram uma conta na corretora, enviaram dinheiro, começaram a comprar ações sem uma boa assessoria de investimentos e o resultado foi sentido na primeira grande crise.

Obviamente, situações como a que ocorreu no início de 2020 não são corriqueiras. Fatos tão marcantes aconteceram no ano de 2008 com a crise do subprime, por exemplo ou em 2016 com o impeachment da então presidente Dilma Rousseff.

Portanto, entender sobre o conceito de hedge tem uma importância crucial no mundo do investimento, especialmente, para a pessoa que pensa em aproveitar o mercado de baixa para começar suas aplicações.

Quais são os tipos de hedge para investimentos?

Agora que você entendeu o conceito de hedge, seu funcionamento e importância mostraremos quais são os tipos existentes. Continue lendo!

Hedge cambial

O hedge cambial, é o mais utilizado por investidores que buscam se proteger contra oscilações cambias ao realizarem operações cotadas em tais moedas estrangeiras.

O mais utilizado baseia-se em operações de mercado futuro de dólar. Essa moeda é considerada a mais forte e estável do mundo, além disso, é utilizada pela maior potência mundial e por esses motivos ela se sobressai diante das demais.

Seguindo essa ideia, o hedge cambial é fundamentado nesta moeda das seguintes formas:

  • No dólar em espécie: geralmente, esse é o formato mais simples do hedge financeiro cambial. Nesse caso, o investidor compra a moeda norte-americana quando o preço está em baixa e a venda quando esta se valorizar, ou seja, quando estiver com a cotação em alta. Além disso, pode utilizá-lo também para viagens ou compras, por exemplo.
  • Operando contratos futuros de dólar: seja ao operar em dólar cheio (DOL) ou minicontratos (WDO), o hedge cambial neste caso consiste em um compromisso de compra e venda de dólar em uma data futura. Assim, o investidor negocia apenas o direito de assumir tais posições. Em outras palavras, você não adquire a posse da moeda de fato.
  • Com opções de compra de dólar: com este tipo de contrato,o investidor adquire o direito de comprar a moeda no futuro, por um preço determinado previamente, no dia em que o hedge foi feito, ou seja, quando a opção foi adquirida. Para tanto, é necessário desembolsar apenas uma pequena parte do valor conhecida como prêmio da opção.

Por meio de títulos cambiais: a forma mais comum de se investir em títulos cambiais, é por meio de fundos cambiais. Esse tipo de investimento tem rendimentos atrelados às variações do câmbio, oscilando de acordo com o comportamento do real em relação ao dólar.

Hedge natural

O hedge natural é conceituado como uma proteção indireta. Ele é comum em ações de empresas exportadoras em que a companhia que emitiu o papel possui ativos em dólar ou, pelo menos, lida com a moeda em suas transações do dia a dia.

Quando o real perde valor, esses ativos tendem a se valorizarem, pois, a receita obtida com suas exportações, no caso em dólar, também aumenta, impactando positivamente em seus lucros. Entretanto, em situações opostas, eles podem sofrer quedas de curto prazo. A grande questão é que isso ocorre em escalas menores que as ações das empresas que dependem do real. Logo, compensam essa redução e também podem ser utilizadas para fazer o hedge de uma carteira.

Hedge com commodities

O hedge em commodities é o mais antigo e um dos mais comuns de todos os tipos de proteção de carteira.

Basicamente, o produtor do insumo compra ou vende contratos futuros com os preços desejados para que ele possa vender, ou comprar, os produtos – seja por liquidação financeira ou entrega física, no caso de alguns produtos – nas datas estabelecidas. Nesse caso, ele consegue fixar uma cotação que considera ser justa para essas commodities.

O objetivo principal dessa ação é evitar que a Lei da oferta e demanda acabe causando oscilações bruscas no mercado. Sem o hedge, a escassez de uma commodity ocasionaria o seu aumento de preço e, enquanto uma grande disponibilidade da mesma geraria a sua baixa.

Como é possível prever os resultados das safras, os produtores estipulam qual será o preço de seus produtos. Assim, o hedge vem, justamente, da segurança da fixação dessas cotações, fazendo com que elas se tornem mais independentes dos imprevistos do negócio.

O ouro é outro ativo comumente utilizado como hedge por muitos investidores. Até os dias atuais ele é considerado como uma das commodities mais seguras do mundo. Ele pode ser adquirido em barras, joias, contratos futuros ou fundos de ouro.

 

Hedge em ações

Por fim, temos o hedge em ações. O investimento em ações é considerado como arrojado e para minimizar os riscos inerentes a esse tipo de operação você pode realizar o hedge com opções de compra e venda. Vale a pena ressaltar que quanto descrevemos esse conceito não estamos nos referindo às opções binárias, pares de moeda ou coisas parecidas.

Opções de ações, basicamente e resumidamente, são contratos de direito de compra ou venda, negociados na Bolsa de Valores. As operações que mencionamos acima não são regulamentadas e, portanto, não podem ser movimentadas dentro da B3.

Voltando ao hedge em ações, pode-se dizer que é mais utilizado quando há maior possibilidade de queda no preço da ação em curto prazo. Com ele, é possível, por exemplo, comprar uma opção que permita a venda da ação em um preço pré-determinado, em uma data futura. Assim, caso a ação sofra uma queda, o investidor, de certa forma, limita os seus prejuízos.

Apesar de esse tipo de operação aparentar ser muito simples e, consequentemente, bastante certeiro, é preciso fazer esse tipo de hedge de forma muito cuidadosa e criteriosa. O hedge de ações é uma das formas mais eficientes para evitar que a volatilidade dos papéis que são comercializados na Bolsa afete os seus investimentos de forma negativa.

O melhor de tudo é que essa estratégia pode ser aplicada na compra de opções ou, até mesmo,operando índices de ações.. Sendo assim, o hedge em ações deve ser feito para evitar perder dinheiro com essas movimentações do mercado.

Não é raro encontrar pessoas que foram brutalmente retiradas do “jogo” porque compraram ações de forma desordenada ou sem a devida proteção de sua carteira.

Como montar um hedge?

Agora que você já está mais familiarizado com o conceito e os tipos de hedge, mostraremos alguns exemplos de como você pode aplicar esse instrumento em sua carteira de investimentos. Começaremos pela montagem de um hedge cambial para servir de exemplo. Inicialmente, suponhamos que você queira fazer isso com dólar em espécie.

Para tanto, precisa procurar uma casa de câmbio para realizar a troca para que, em seguida, possa guardar em um local seguro. Quanto a guarda da moeda, é preciso ter muita atenção pois você pode ter problemas com furtos e roubos se pretende manter o valor guardado a longo prazo. Sendo assim, essa parte da segurança da moeda é algo que você precisa pensar muito bem.

Nesse caso, você destina uma parte do seu capital na compra dessas moedas e, caso o mercado venha sofrer oscilações muito fortes, você terá a proteção de possuir um capital em espécie na moeda mais sólida do mundo.

Hedge com mercado futuro

Agora, discorreremos mais um exemplo da montagem de hedge que é muito comum no mercado. Para tanto, utilizaremos o mercado futuro. Suponhamos que você tenha uma carteira de ações variadas entre diversas empresas de seguimento distinto e soma de todos os ativos está cotada em R$ 100.000,00.

Assim, para proteger a sua carteira e não ter que se desfazer dela, uma das opções é a operação no mercado de índice futuro. Caso as ações percam o valor, o Ibovespa também acompanhará o movimento, entretanto, nesse caso, você está vendido na operação e ganhará com a queda do índice.

Em um exemplo hipotético, vamos imaginar que na queda, suas ações desvalorizaram e chegaram ao montante de R$ 90.000,00. Porém, a venda dos minicontratos de índice futuro gerou um ganho de R$ 10.000,00, por exemplo, logo, o seu patrimônio ficou intacto, apesar de não ter obtido ganho.

Caso você tivesse entrado na operação com o dobro de minicontratos, o lucro dessa operação seria de R$ 20.000,00. Assim, poderia utilizar os R$ 10.000,00 excedentes para aumentar a sua posição em alguns ativos com um preço inferior, melhorando o seu médio e possibilitando que os ganhos sejam maiores quando as ações voltarem aos patamares normais de preço.

Obviamente, esse é apenas um exemplo simplório com números totalmente hipotéticos, porém, ele traduz um tipo de operação que é possível de ser executada e que reduz significativamente a sua exposição ao risco no mercado financeiro.

Como fazer o hedge perfeito?

Existem algumas pessoas que acreditam em um conceito chamado de “hedge perfeito”. Os exemplos que mostramos neste artigo nos mostram que essa ferramenta é um precioso instrumento para servir como cobertura para seus investimentos. Entretanto, falar em hedge perfeito pode soar bastante pretensioso.

É importante ter em mente que as ações têm vida própria, isso significa que o seu preço não é obrigado a seguir uma tendência de mercado ou fundamentos preestabelecidos. Mesmo que existam estratégias, análises, históricos e demais formas de prever movimentos, eles sempre seguirão seu rumo, independentemente de qualquer estratégia.

Isso pode ser ocasionado por diversas circunstâncias que, em muitos casos, só podem ser entendidas depois que um movimento ocorreu. O seu papel, portanto, não é criar um hedge perfeito, mas sim, um que seja capaz de suprir ao máximo, possíveis perdas e evitar que você sofra prejuízos por conta de um movimento contra suas posições.

Por fim, podemos concluir que o hedge financeiro é uma excelente saída para aqueles investidores que desejam aplicar o seu dinheiro com mais segurança. Ele possibilita evitar reduzir o seu patrimônio com variações muito bruscas no mercado ou em um único ativo, preservando o seu capital e possibilitando o aproveitamento de novas oportunidades advindas dessas mesmas oscilações.

Para começar a aplicar utilizando as estratégias aprendidas neste artigo abra a sua conta no modalmais e comece a investir com segurança.

 

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