O mercado cambial futuro é amplamente utilizado por traders profissionais e outros investidores que desejam fazer a proteção de sua carteira, e até mesmo como forma de diversificação em seus investimentos. Desses, os ativos preferidos são o DOL e o WDO, os contratos e minicontratos futuros da moeda americana. Entretanto, existe outro que não é muito explorado, mas que vale a pena conhecer. Estamos tratando do Mini Euro.

Neste artigo, discorreremos sobre as principais particularidades desse ativo e tudo o que você gostaria de saber sobre ele. Acompanhe!

 

O que é o Mini Euro?

Inicialmente, é importante entender o que são minicontratos. Como o próprio nome nos sugere, são contratos futuros que têm menor exposição à volatilidade, uma vez que os lotes mínimos são menores, e o preço por ponto também, quando comparamos aos contratos cheios. Assim, como têm chamadas de margem menores, os minicontratos tendem a ser mais acessíveis ao público em geral.

Esses minicontratos são classificados na categoria dos derivativos financeiros, porque derivam, basicamente, de um ativo subjacente, que no caso do Mini Euro é a moeda europeia, o euro. Geralmente, um minicontrato equivale a 20% do contrato cheio.

No Brasil, os minicontratos chegaram em 2001, por meio da BM&FBovespa, mas apenas nos últimos anos eles se tornaram mais populares entre os investidores, especialmente entre as pessoas físicas.

Além do Mini Euro, sobre o qual discorreremos com mais detalhes neste artigo, é possível investir em minicontratos de outros ativos subjacentes, como:

  • Outras moedas, como o Dólar;
  • Índices, como o Ibovespa e S&P500, dos Estados Unidos;
  • Algumas commodities, como soja e boi;
  • Metais e minerais, como o ouro e petróleo.

Os contratos futuros de Euro, portanto, são acordos de compra e venda negociados diante das expectativas futuras em relação ao preço dessa moeda. A negociação desses ativos ocorre no ambiente da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), é padronizada, e o vencimento dos contratos ocorre mensalmente, sempre no primeiro dia útil de cada mês.

O Mini Euro, por conseguinte, é uma derivação desse contrato futuro que pode ser utilizado para proteger uma carteira contra a variação de preços frente ao real, em uma data futura, ou, simplesmente, especular possíveis oscilações desse ativo.

Por conta disso, é mais comum que grandes instituições que têm recebíveis em euro, ou estão expostas ao pagamento de dívidas nessa moeda, negociem esse ativo em ambiente de Bolsa de Valores.

 

Quais as principais características das negociações com esse ativo?

Como você já sabe, muitos investidores institucionais e, até mesmo, algumas pessoas físicas estão expostos aos efeitos de uma variação cambial.

Nesse sentido, uma alta ou queda brusca da moeda europeia pode causar uma grande desestabilização em suas finanças. Para o investidor pessoa física, essas oscilações podem esconder diversas oportunidades. Porém, antes de passar a aproveitá-las, é preciso conhecer mais sobre alguns pontos. Acompanhe!

 
Liquidez

Em geral, os minicontratos têm mais liquidez quando comparamos aos seus respectivos contratos cheios. Isso significa que existem muitos investidores, pessoas físicas ou jurídicas, querendo comprar e vender tais ativos nos mais variados níveis de preços.

No caso do Mini Euro, possivelmente até devido à falta de popularização, ele tem liquidez mais comprometida, sendo bem inferior à de outros ativos, como o Mini Dólar ou Mini Índice. Afinal, esses dois últimos são os mais negociados no mercado futuro brasileiro.

A liquidez é um fator importantíssimo nas operações, principalmente naquelas que iniciam e finalizam no mesmo dia, o que chamamos de day trade. Em um mercado de baixa liquidez, é possível que o player não consiga sair de uma operação por falta de compradores ou vendedores.

 
Diversificação

Diversificar carteira é uma estratégia fundamental para todo investidor. Esse conceito pode ser ilustrado com aquele velho ditado: “nunca coloque todos os ovos em uma única cesta”. Afinal, se ela cair no chão, todos serão perdidos.
O mercado futuro como um todo facilita em muito o processo de diversificação.

Quando mencionamos os contratos do mercado futuro, em geral, a dinâmica de negociação é diferente da de outros ativos, como ações de empresas e outros investimentos de renda fixa. Apesar de haver uma exposição maior ao risco, diferentemente dos últimos investimentos citados, os ativos negociados no mercado futuro têm maior potencial de retorno financeiro, o que pode servir para equilibrar uma carteira.

 
Alavancagem

Ao operar qualquer contrato ou minicontrato futuro, você está se comprometendo a receber, ou pagar, a diferença de preço negociada para uma data posterior. Ou seja, o resultado da operação é a diferença da variação de preços, e você paga ou recebe de acordo com a posição de entrada e saída, e o resultado entre essas operações. Assim, você está alavancado pois não irá pagar pelo contrato como um todo, e sim pela variação de preços.

Portanto, explicando basicamente, você não precisa ter todo o valor do ativo para negociá-los. Basta possuir o valor relativo à chamada de margem (margem de garantia), na instituição que está intermediando sua operação. Como garantia podem ser utilizados ações, títulos públicos, e o próprio saldo em conta.

A alavancagem funciona como um potencializador de resultados de operações, sejam eles positivos ou negativos. Por isso, é tão importante estudar sobre o mercado que se pretende atuar.

 
Ajustes diários

Claro que, além da margem de garantia que o investidor depositará para iniciar as operações, é importante dar atenção também aos ajustes diários. Assim, o investidor deve gerir bem o saldo disponível em conta, uma vez que os ajustes diários podem ser positivos, como também negativos, em relação à posição assumida com esse contrato na operação.

O ajuste diário, explicando resumidamente, é apurado pela B3 diariamente e, em geral, representa a média ponderada dos negócios realizados dentro de determinado período. O valor que o investidor passa a receber ou pagar, a partir do dia em que uma posição (comprada ou vendida) é aberta, representa a diferença entre o preço do ajuste e o preço da atual posição.

Por isso, é necessário que haja em conta um saldo disponível para que eventuais ajustes negativos, não comprometam sua conta e, consequentemente, sua posição.

Possibilidade de rentabilidade independentemente da direção do mercado

Outra vantagem interessante do Mini Euro é a possibilidade de rentabilidade independentemente da direção do mercado. Isso porque, como característica geral dos contratos negociados no mercado futuro, você pode entrar em uma posição “comprado”, ou seja, envia uma ordem de compra, encerrando a posição ao vender o contrato.

Da mesma forma, você pode entrar em uma posição “vendido”, ou seja, envia uma ordem de venda, encerrando a posição ao comprar o contrato. Assim, se você entrar na ponta “correta” e o mercado oscilar a favor de sua operação, você obterá o lucro bruto dela.

Então, se, por exemplo, você vender a determinada pontuação, e encerrar a operação ao comprar mais barato, você obterá lucro na operação.

 

Código do Mini Euro

A negociação de todos os ativos, seja no mercado futuro, seja no mercado à vista, é executada por meio de códigos. No caso das ações, é atribuída uma codificação fixa para identificar uma companhia, e uma numeração que indicará se aquela ação é preferencial (PN) ou ordinária (ON). Por exemplo, as ações de Petrobras são negociadas sob dois códigos: PETR3 (ON) e PETR4 (PN).

No mercado futuro, esses códigos não são totalmente fixos e mudam de acordo com alguns critérios. Inicialmente, existe uma sigla fixa que determina o ativo, que no caso do Mini Euro é a WEU. Após essas letras de identificação, é necessário inserir a letra que representa o mês de vencimento a ser negociado. O WEU tem vencimento todos os meses, sempre no primeiro dia útil do mês. Assim, cada mês de vencimento tem as respectivas siglas:

  •  Janeiro: F;
  • Fevereiro: G;
  • Março: H;
  • Abril: J;
  •  Maio: K;
  •  Junho: M;
  •  Julho: N;
  •  Agosto: Q;
  •  Setembro: U;
  •  Outubro: V;
  •  Novembro: X;
  •  Dezembro: Z.

Por fim, deve ser adicionado o ano em que o ativo está sendo negociado. Após a inclusão desses itens, temos formado o código do Mini Euro. Por exemplo, o que tem vencimento em novembro de 2020, terá o código WEUX20; em dezembro do mesmo ano, teremos WEUZ20, e assim por diante.

 

Qual é a diferença entre os minicontratos e os contratos cheios?

Inicialmente, é importante ter em mente que a finalidade de ambos é a mesma. O que difere um do outro são as suas características, especialmente as monetárias, além do código de negociação. Por exemplo, os contratos cheios de Euro Futuro devem ser negociados em um lote mínimo de cinco, sempre em múltiplos dessa quantidade: cinco, dez, 15, e assim por diante. Por outro lado, no WEU, o investidor pode negociar quantidades menores, sendo o lote mínimo de um contrato, e múltiplos dessa quantidade.

O volume financeiro de ambos também é muito diferente, conforme discorreremos no próximo tópico. Além disso, há uma diferença substancial entre esses contratos, quando consideramos os custos operacionais da B3, que são calculados sobre cada contrato negociado.

 

Quanto vale um minicontrato de Euro?

Os contratos cheios de Euro Futuro têm um valor de € 50 mil (cinquenta mil euros). Entretanto, como você já sabe os minicontratos costumam valer cerca de 20% desse total. Logo, o tamanho do Mini Euro é de € 10 mil (dez euros).

No entanto, cotação dá-se em reais por 1 mil Euros e a variação mínima de apregoação do contrato é de R$ 0,10 por € 1 mil. Logo, calculando em reais, o valor por cada ponto é de R$ 10.

 

Como negociar o Mini Euro?

A etapa mais importante desse processo é o estudo prévio que deve ser feito, como por exemplo a itens que foram mencionados ao longo desse artigo.

O primeiro passo é analisar o seu perfil de investidor. Como estamos tratando de um mercado de renda variável, o ideal é que, pessoas que são mais sensíveis ao risco, optem por investimentos adequados ao seu perfil, uma vez que contratos e minicontratos são indicados para perfis arrojados.

Além disso, procure por instituições de confiança e estáveis, onde você possa, principalmente, contar com a ajuda de profissionais especializados em mercado futuro. O banco digital modalmais, por exemplo, carrega todos esses atributos – indispensáveis – mencionados.

 

Como funciona a arbitragem entre Mini Euro e Euro futuro?

A arbitragem é um procedimento que tem por objetivo aproveitar distorções de preços, por meio de operações simultâneas, em mercados iguais ou não. Basicamente, o arbitrador visa obter rentabilidade, reduzindo os riscos.

Imagine, por exemplo, uma situação em que o investidor identifica uma oportunidade de arbitragem ao verificar que no livro de ofertas há preços com diferenças de R$ 2 reais por € 1 mil, entre a compra e a venda, tanto no contrato padrão quanto no minicontrato. Não necessariamente a cotação desses diferentes contratos será a mesma, por mais que se trate do mesmo ativo-objeto e, em geral, a cotação esteja sempre em patamares próximos.

Seguindo esse exemplo, suponhamos que o contrato padrão de Euro está sendo ofertado na compra a R$ 6.362 e na venda a R$ 6.364, e o Mini Euro ofertado na compra a R$ 6.365 e na venda a R$ 6.367. Assim, o arbitrador realiza a compra do contrato padrão no patamar mais baixo, e vende o minicontrato no patamar mais alto, equiparando a quantidade de minicontratos a de contratos padrão, obtendo rentabilidade na transação simultânea entre a compra dos contratos cheios a um preço inferior, e a venda dos minicontratos a um preço superior.

A arbitragem é um tipo de operação avançada, e que é mais indicada para pessoas experientes no mercado. Portanto, mesmo com tantas vantagens, é importante ter muito cuidado para não cometer erros na hora de executar a operação e acabar tendo prejuízo.

 

Como se proteger na alta dos preços?

Uma das finalidades do Mini Euro é a proteção de capital diante da variação de preços do câmbio. Em um cenário em que há expectativas de alta na cotação do euro, e, por exemplo, você tenha um passivo indexado a essa moeda, uma estratégia que poderia ser realizada é a de compra da quantidade de Mini Euro equivalente ao valor do passivo – lembrando que o valor do contrato de cada Mini Euro é equivalente a € 10 mil.

É claro que diversos fatores, mencionados ao longo desse artigo, devem ser levados em consideração, como a chamada de margem, os ajustes diários, bem como o próprio risco cambial.

Assim, podemos concluir que a negociação em Mini Euro pode ser um excelente meio de hedge contra a variação de preços, ou mesmo uma forma de especular as oscilações desse ativo perante nossa moeda, e com uma exposição inferior, se comparado ao contrato Futuro de Euro.

Então, para iniciar suas operações nesses e em diversos outros ativos, abra a sua conta no modalmais.

 

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